Estrangulador da filha pode escapar à cadeia (ACTUALIZADA)

A eventual inimputabilidade de João Pinto, o homem que nos últimos dias de Maio asfixiou a filha de seis anos na casa onde morava, em São Mamede de Infesta, Matosinhos, poderá levar a que o arguido não cumpra qualquer pena de cadeia – mas sim de internamento. A Defesa do arguido assenta nessa tese e o Ministério Público pretende agora contrariá-la, juntando novos exames de personalidade do homicida.<br/>

25 de setembro de 2009 às 21:00
Estrangulador da filha pode escapar à cadeia (ACTUALIZADA) Foto: Rui Oliveira
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O relatório foi pedido pelo MP à cadeia onde João Pinto está em prisão preventiva – com apertada vigilância, dadas as tentativas de suicídio – e servirá para fundamentar em que estado psíquico se encontrava o arguido quando o crime foi cometido.

O documento aponta no sentido da inimputabilidade com base em testemunhos do homicida: desde o início que diz não saber explicar por que matou a filha, embora tivesse planeado tudo ao pormenor. Diz que gostava dela e atribui o crime a um 'acto de amor'. Não é descrito como esquizofrénico; poderá porém ter perdido momentaneamente a capacidade de discernir o bem do mal.

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No dia do crime, João Pinto brincava com a criança e, após o homicídio, mandou uma mensagem por telemóvel à mulher, de quem se estava a divorciar, a contar o que tinha feito. Maria João resistiu alguns minutos, mas o pai não abrandou a força. Matou-a com o cinto do roupão e ao som de uma canção de que ela gostava.

Com um pedido de parecer, o MP quer evitar a inimputabilidade. Os investigadores defendem que João Pinto estava na sua plena capacidade e forjou a tentativa de suicídio. Foi preso junto à praia, mas a PJ acredita que nunca se tentou matar.

'NÃO CONSIGO IR À CASA ONDE ELA MORREU'

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Em Janeiro passado, João Pinto despediu-se do emprego. Recebeu a indemnização e durante meses viveu dos rendimentos. Não contou a ninguém que já não trabalhava. Na empresa, o patrão garante que ele nunca deu sinais de desequilíbrio, embora ninguém percebesse o que o fez afastar-se.

A casa de João Pinto foi posta à venda. Não arranjou comprador para o apartamento de São Mamede de Infesta, em Matosinhos, onde acabou por matar a pequena Maria João. Rosa Ferreira diz agora que continua a tentar vender a casa, mas que ainda não conseguiu lá entrar. 'Foi lá que morreu a minha filha. Ainda não tive coragem, mas vamos tentar vendê-la. Depois de tudo o que aconteceu, nunca mais poderíamos ficar com ela', afirma ao CM, visivelmente desgastada.

'NÃO PASSOU DE UMA VINGANÇA'

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Rosa Maria Ferreira, mãe de Maria João, diz que vive um dia de cada vez. Não ultrapassou a morte da filha, nunca mais voltou à casa onde a menina foi estrangulada, mas tenta recuperar do choque. Não acredita, porém, que o marido seja inimputável. Diz que ele sabia o que fazia, que tudo não passou de uma vingança contra ela. 'Ele é muito inteligente. Sabia o que fazia e foi a forma de me tirar a minha filha. Quis castigar-me, vingar-se de mim. Sempre disse que me ia destruir, mas nunca conseguiu. Fez o que sabia que ia acabar coma minha vida', afirma ao CM, recordando que João Pinto já a tinha alertado de que era um ‘monstro’. 'Nunca acreditei, mas ele cumpriu as ameaças.'

Maria Rosa afirma que a dor continua a dominar-lhe a vida. 'Um dia tenho de tentar passar para o papel o que sinto. Será a única forma de tentar ultrapassar o que vivi.'

As irmãs de Maria João também tentam recuperar do trauma.'Vivemos um dia de cada vez.'

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PORMENORES

SEM PERDÃO

Rosa Ferreira não tem dúvidas. Nunca perdoará o marido e nem o visitou na cadeia. Não falou com ele depois de receber a mensagem por SMS que lhe dava conta da morte da menina de seis anos.

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FILHAS NÃO O VISITAM

As filhas de Rosa Ferreira (fruto de um primeiro casamento) sempre viveram com João Pinto, com quem mantinham uma boa relação. Nunca o visitaram na cadeia.

IRMÃ APOIA JOÃO PINTO

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A irmã é a única que o apoia. Arranjou-lhe advogado.

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