EUROPEUS DÃO-NOS SUBMARINOS

A Marinha de Guerra portuguesa poderá vir a receber submarinos espanhóis ou alemães que vão ser abatidos ao efectivo, para colmatar o fim cada vez mais próximo dos navios que ainda servem na nossa Armada, soube o Correio da Manhã.

02 de julho de 2003 às 00:00
EUROPEUS DÃO-NOS SUBMARINOS Foto: Tiago Sousa Dias
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A verdade é que os nossos submarinos estão tão velhos que mesmo os que são abatidos em outras marinhas da NATO são bons para a nossa Armada. É que os dois navios de que ainda dispõe a Marinha só têm a vida útil prevista até 2007 – após quase 40 anos de navegação – e uma vez que os novos submarinos, a virem, só chegarão em 2008 ou mesmo 2009, isso produzirá um vazio de pelo menos um ano que poderá revelar-se fatal para a instrução das guarnições.

O Ministério da Defesa salientou que o processo de substituição dos actuais submarinos “está a decorrer segundo e os termos previstos”, mas o Estado-Maior da Armada confirmou que “estão a ser estudadas as várias possibilidades”, entre as quais a alemã e a espanhola, embora todas no mesmo patamar de incerteza. O Estado-Maior reconheceu, no entanto, que se “vai verificar esse vazio na instrução”, que terá que ser preenchido, eventualmente através da cedência de pelo menos um submarino.

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E se a hipótese alemã parece directamente associada à proposta do 209 – um dos submarinos em concurso – pelos estaleiros HDW, já quanto aos submarinos espanhóis a questão não é tão líquida. Com efeito, os espanhóis surgem na mesa mercê das excelentes relações entre as duas marinhas, mas a verdade é que os estaleiros espanhóis ITZAR têm um acordo de parceria com os estaleiros franceses da DCN relativamente ao submarino Scorpéne – o outro modelo em concurso em Portugal.

As várias hipóteses estão a ser estudadas, mas as soluções alemã e espanhola parece serem as que têm mais força, se bem que numa e noutra seja submarinos que vão ser abatidos para a sucata.

MILITARES DIZEM DE SUA JUSTIÇA

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“Não vejo mal nenhum na solução em análise. Se assim for decidido é porque a Marinha Portuguesa tem informação de que o submarino está ou vai ficar em condições de ser operado. O fundamental é que seja eficiente no cumprimento das missões e seja seguro, no sentido de não constituir perigo.” - General Loureiro dos Santos Antigo chefe do Estado-Maior do Exército

“Para mim, uma opção deste género não faz à partida muito sentido. Se um submarino já não serve em Espanha ou noutro país europeu, também não serve em Portugal. Salvo o facto de se tratar de uma decisão de reduzir o número de submarinos ao serviço sem que estejam inoperacionais.” - Vice almirante Reis Rodrigues Antigo comandante do Cinciberlant

A flotilha portuguesa chegou a ter quatro submarinos, mas actualmente restam apenas dois, que também já estão no fim da vida útil. O processo de substituição foi lançado ainda no governo de Cavaco Silva, o executivo de Guterres cancelou-o devido à questão do financiamento e Durão Barroso recuperou-o, mas apenas para dois navios, ao invés dos três que estavam previstos e desejados pela Armada. A razão foi mais uma vez financeira e a opção foi para o ‘leasing’. Sem esta opção de financiamento cada navio ficaria em 600 milhões de euros.

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Os navios espanhóis, quatro da classe Delfim, são mais novos cerca de cinco anos que os homólogos portugueses e receberam beneficiações a meia vida, coisa que os nossos submarinos nunca viram. Têm como vantagem o facto de serem oceânicos e serem iguais aos portugueses, o que facilitaria a instrução e a sustentação. Quanto aos alemães, da classe 206, são navios costeiros, um conceito completamente diferente dos dos navios portugueses, mas, em contrapartida, dispõem de um sistema de combate mais evoluído em relação aos espanhóis.

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