Ex-adjunto da ministra da Justiça julgado por abuso de menino de 10 anos em culto
Paulo Abreu dos Santos filmou e abusou de um rapaz de 10 anos que conheceu em templo de Orixás na Margem Sul do Tejo.
Quando foi detido, em dezembro do ano passado, Paulo Abreu dos Santos foi indiciado por 576 crimes sexuais relacionados com crianças. Mas a investigação comprovou que o volume era muito superior às suspeitas iniciais. O antigo adjunto da ministra da Justiça Catarina Sarmento e Castro - exerceu funções no Governo PS entre 2022 e 2023 - foi agora acusado pelo Ministério Público e vai ser julgado por 7986 crimes de pedofilia. Quase 900 destes crimes são fotos e vídeos que Paulo Abreu dos Santos fez de um menino de 10 anos que conheceu num templo religioso em Corroios, no Seixal, mas que também abusou sexualmente do mesmo pelo menos duas vezes.
De acordo com a acusação pelo menos 7095 crimes são relativos a posse e partilha de imagens e vídeos de abusos e pornografia de menores, a envolver outras crianças. Quase todas as vítimas são de nacionalidade estrangeira e os abusos terão sido concretizados noutros países. Paulo Abreu dos Santos teve acesso aos vídeos e fotos através de plataformas na internet como o Signal e o Telegram, em grupos com nome sugestivos como ' kids boys only' [só meninos e rapazes] ou 'vídeos de chicos' [vídeos de rapazes]. Aliás, foi a entrada nestes grupos que tramou o ex-governante. O perfil de Paulo Abreu dos Santos foi detetado em 13 grupos de conversação entre pedófilos pelas autoridades norte-americanas, que sinalizaram o suspeito à Polícia Judiciária.
A investigação portuguesa acabou por desenrolar um verdadeiro novelo de crimes, que o vão levar agora a julgamento.
Ministra dá louvor na saída
Paulo Abreu dos Santos ganhava mais de 5 mil euros por mês (brutos) no gabinete de Catarina Sarmento e Castro. Cessou funções ao fim de 10 meses por se sentir “cansado do ritmo de trabalho”, mas ainda levou um louvor da ministra da Justiça. Na alturou retomou funções como advogado e docente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que manteve até ser detido.
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