Ex-polícia morto a tiro por negócios

Um tiroteio entre negociantes de automóveis fez anteontem um morto e um ferido ligeiro nos arredores da Guarda. Dívidas entre ambos terão estado na origem do ajuste de contas. Quando as autoridades policiais chegaram ao local – rotunda da Gata – deram com os dois baleados junto a um Ferrari 450 vermelho e a um Mercedes CLK que constava para apreensão.

29 de outubro de 2006 às 00:00
Ex-polícia morto a tiro por negócios Foto: Ilustração de Ricardo Cabral
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A vítima mortal é um ex-agente da PSP, Eurico Monteiro Telles Ferreira, de 37 anos. Era actualmente vendedor de automóveis e mantinha residência em Mangualde e em Lisboa, tendo família na Gata. Eurico seguia ao volante do Ferrari, que foi apreendido com o Mercedes. Foram apreendidas duas armas, presumivelmente usadas no tiroteio: um revólver de calibre 32 e outro de calibre 38.

O ponto de partida para a investigação da PJ será a versão do sobrevivente, Luís Natividade de Carvalho, de 32 anos. Residente no Prior Velho, tem um ‘stand’ em Lisboa. Segundo confessou, ele e um terceiro homem viajavam com Eurico no Ferrari (que não está registado em nome de nenhuma das vítimas) quando ocorreu a zanga. Pelas 23h40, Eurico parou na rotunda, perto do nó de acesso à A23, e fora do carro terá dado um tiro no pé a Luís Carvalho, que ripostou atingindo-o no abdómen, matando-o.

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Dívidas relacionadas com a negociação de uma viatura de alta cilindrada e a existência de portagens por pagar e infracções ao Código da Estrada por um alegado comprador terão originado o crime.

O caso envolve mais dois indivíduos que circulavam no Mercedes CLK cinzento e foram identificados. O grupo terá estado na tarde de sexta-feira a ver um apartamento no Porto e jantou na Guarda. Foram vistos em bares da cidade. O alerta foi dado através do 112 e foi uma patrulha da BT a primeira a chegar ao local. Os baleados foram transportados para o Hospital da Guarda, de onde Luís Carvalho teve alta a meio do dia.

A vítima mortal, Eurico Monteiro Telles Ferreira, tinha 37 anos e era um antigo agente da PSP. Terá sido reformado compulsivamente da corporação quando prestava serviço numa esquadra em Lisboa. Tinha família na Gata, localidade onde faleceu, e mantinha residência em Lisboa e em Mangualde. Actualmente dedicava-se à venda de automóveis. No início do ano, candidatou-se a um lugar de adido de embaixada num concurso externo aberto pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros para a carreira diplomática. Eurico Telles Ferreira seria excluído do concurso por faltar a uma prova de português.

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CONFISSÃO

A primeira versão dos acontecimentos foi dada às autoridades policiais pelo ferido ligeiro, que, ainda no local do crime, terá confessado ter morto Eurico Telles Ferreira com um tiro de revólver no abdómen.

DOIS REVÓLVERES

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Foram apreendidos dois revólveres, de calibre 32 e 38, presumivelmente usados no tiroteio pelos envolvidos. Foi também apreendido o Ferrari e um Mercedes CLK que constava para apreensão.

TESTEMUNHAS

Além da vítima mortal e do ferido, outros três indivíduos, já identificados pela Polícia Judiciária, terão testemunhado os acontecimentos e conhecem as circunstâncias que originaram o ajuste de contas na Guarda.

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