Exames atrasam vigia

A conclusão dos estudos, com os exames nas universidades, está a atrasar a colocação de nadadores-salvadores nas praias.

02 de junho de 2011 às 00:30
SOCORRO, PRAIAS, AFOGAMENTOS, NADADORES, SALVADORES, ÉPOCA BALNEAR
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Na Costa da Caparica, Almada e no Litoral Alentejano, esta é a principal dificuldade das associações de nadadores-salvadores para cumprir os projectos integrados aprovados pelo Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), e que obrigam à presença de dois nadadores em cada frente de praia.

Os projectos integrados são um serviço comum de vigilância entre as associações de concessionários e as associações de nadadores-salvadores, que coordenam os meios técnicos e preenchem os lugares. A época balnear arrancou oficialmente ontem, mas só no final deste mês as praias deverão ter os dois postos preenchidos.

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"A maioria dos nadadores-salvadores são jovens, estudantes, e no dia 15 ainda estão em época de exames", denuncia António Mestre, presidente da Associação de Nadadores-Salvadores do Litoral Alentejano – Resgate, criticando a "falta de coordenação entre quem decide e quem executa". No Litoral Alentejano há 13 praias actualmente vigiadas por sete nadadores-salvadores, quando deviam ser 40. Na Costa da Caparica, segundo Luís Vitorino, presidente da Associação CaparicaMar, há 38 nadadores salvadores, menos de metade dos 79 exigidos a partir de dia 15. "Há dificuldade em ter todas estas pessoas nas praias. São estudantes, entre os 20 e os 25 anos, que estão a concluir os percursos académicos", explica.

O ISN garante que 2011 é o ano com maior número de nadadores-salvadores. "Existem seis mil certificados", refere o comandante Nuno Leitão, porta-voz do ISN, acrescentando que "este ano foram formados cerca de dois mil".

Os restantes têm licenças atribuídas em anos anteriores. O porta--voz do ISN destaca que "em 2010 foram registadas 18 mortes por afogamento", quando houve "55 milhões de visitas de banhistas portugueses e 11 milhões de turistas estrangeiros". A relação entre o número de visitas e mortes põe Portugal "entre os três países com melhores resultados [da International Life Saving Federation]".

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Ontem, um turista inglês de 60 anos morreu na zona poente da Praia de Armação de Pêra, vítima de doença súbita, quando tomava banho.

CARCAVELOS COM 15 NADADORES

Na praia de Carcavelos, Cascais, há 15 nadadores-salvadores, apesar dos 12 concessionários, o que obrigaria ao preenchimento de 24 postos de vigia. "Não fazia sentido colocar aqui tantos nadadores-salvadores. Por isso houve um acordo entre os concessionários e o ISN para serem apenas 15", explicou Tiago Magro, gerente da Casa de Praia, acrescentando que "a existência de muitos surfistas nesta praia também ajuda no socorro". No que diz respeito à limpeza da praia, a autarquia tem funcionários que todos os dias passam pelo areal para proceder à remoção do lixo.

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POUCOS QUEREM SER SALVADORES

Nas cerca de 40 praias concessionadas da área da capitania de Peniche, entre as Caldas da Rainha e Torres Vedras, teve de se recorrer a quem tirou o curso de nadador-salvador nos dois últimos anos ou fez reciclagem para haver vigilância nas estâncias balneares: nos cinco cursos de formação previstos, apenas um foi realizado (23 formandos), devido à falta de candidatos.

CONCESSÕES LIMPAM PRAIAS

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Os cortes nas despesas das câmaras também afectam as praias. No Algarve, as autarquias optaram por baixar o preço das concessões, de forma a que sejam os privados a fazer a manutenção dos areais.

A Câmara de Faro é uma das que aplicaram a medida. "Fizemos contas e chegámos à conclusão de que teríamos mais ou menos as mesmas receitas com menos despesa", explica Macário Correia, presidente da autarquia e da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL). Nos contratos celebrados para a exploração das concessões na praia de Faro, este ano a câmara vai cobrar menos dinheiro mas obriga ao pagamento da manutenção e dos nadadores-salvadores por parte dos donos das concessões. "Não é por gastarmos menos dinheiro que a segurança ou higiene das praias vai ser posta em causa", garante Macário Correia. "As praias algarvias vão ter todas as condições para receber os banhistas", conclui.

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