Exército volta ao Quartel da Atalaia

O Exército tenciona reactivar o Quartel da Atalaia, em Tavira. Nesse sentido está a equacionar a possibilidade de instalar uma unidade operacional no edifício que poderá servir ainda de base a militares em acções de treino operacional na zona.

31 de maio de 2007 às 00:00
Exército volta ao Quartel da Atalaia Foto: direitos reservados
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A medida, integrada no programa de acção do Chefe do Estado Maior do Exército (CEME), general Pinto Ramalho, para o triénio 2007-2009, é apresentada hoje e já mereceu duras críticas do presidente da Câmara de Tavira, Macário Correia.

O porta-voz do CEME, tenente-coronel Hélder Perdigão, disse ontem ao CM que “o assunto será alvo de estudos”, pois é objectivo do Exército “voltar a implantar-se no Sul do País”, nomeadamente em “Beja e Tavira”.

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O Quartel da Atalaia teve como última missão “operacional” acolher o Centro de Instrução de Sargentos Milicianos de Infantaria (CISMI). Instalado num edifício setecentista, em pleno centro da cidade, o edifício tem permanecido numa situação que o presidente da Câmara de Tavira, Macário Correia, classifica de “desaproveitamento e abandono”.

A actual proposta do Exército desagrada contudo ao autarca, que tem vindo a negociar o futuro do quartel com o Ministério da Defesa, a quem o edifício está afectado: “As indicações que tenho são para se fazer uma reavaliação do imóvel e ponderar situações de alienação do mesmo, que sirvam os interesses públicos e do Estado, numa óptica de desenvolvimento”, afirmou Macário Correia, que aponta como exemplo de solução para o edifício a sua transformação em “centro de instrução da GNR ou de formação profissional um hotel, repartição de finanças ou quartel de bombeiros”.

O autarca revelou ainda que o Exército “rejeitou” trocar o Quartel da Atalaia por uma pousada (ver caixa).

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Para Macário, a medida agora anunciada pelo Exército traduz “uma estratégia corporativa para criar obstáculos a um processo de desenvolvimento em curso, num momento em que o Governo estava à beira de tomar decisões” sobre o futuro do “maior edifício da cidade”.

“Desde há anos que o Exército diz que vai fazer alguma coisa no quartel mas a verdade é que este está há 15 anos ao abandono, apesar de cerca de 50 pessoas lhe continuarem afectas”, sustenta. A proposta final sobre a utilização a dar ao Quartel da Atalaia, pelo Exército, deverá estar pronta no próximo mês de Julho.

BILHAR CHUMBA POUSADA

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O presidente da Câmara Municipal de Tavira disse ao CM que o Exército manifestou, “em finais do ano passado”, interesse em “trocar o Quartel da Atalaia por uma pousada para férias na zona”, mas acabou por recusar o negócio por entender que “as salas de bilhar do edifício proposto não tinham as dimensões adequadas”. “O interesse do Exército é passar férias em Tavira e é para isso que o Quartel da Atalaia tem servido nos últimos anos”, acusou Macário Correia. O autarca tavirense disse que o negócio em causa era do “tipo chave na mão” e envolvia o Palacete Vaz Velho, no casco histórico de Tavira. “Trata-se de um imóvel espaçoso, com cerca de duas dezenas de quartos e muito bem localizado, mas o tamanho das salas de bilhar não agradou aos nossos militares”, adiantou Macário.

ÁREA

O Quartel da Atalaia, situado na Freguesia de Santiago, Tavira, é o maior edifício da cidade, ocupando cerca de um hectare. De planta rectangular, tem vários corpos ligados à volta de um pátio central.

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D.MARIA I

O quartel foi mandado construir em 1795 pelo então Governador General do Algarve, Nuno José de Mendonça Moura Barreto, a mando de D. Maria I, para alojar o regimento da Praça de Tavira.

CLASSIFICAÇÃO

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O quartel, um exemplo da arquitectura militar setecentista, afecto ao Ministério da Defesa, encontra-se actualmente em vias de classificação.

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