Explosão faz 58 feridos
Uma falha de ordem técnica esteve na origem do acidente com fogo-de-artifício que ontem de madrugada causou 58 feridos no areal da Figueira da Foz, durante o espectáculo piromusical dos festejos de São João. A empresa que o montou já assumiu todas as responsabilidades.
A determinada altura, pela 01h30, foguetes e estilhaços do fogo-de-artifício explodiram na direcção dos milhares de pessoas que festejavam no areal e na marginal, causando o pânico até em espectadores que estavam dentro de bares.
Algumas testemunhas apontaram de imediato como causa do acidente a queda de uma peça onde estavam instalados diversos efeitos pirotécnicos, o que viria a ser confirmado, pelas 21h30 de ontem, num comunicado conjunto das entidades envolvidas na iniciativa.
Por razões ainda por explicar, uma estrutura foi accionada, por outra, ainda no chão, virando-se no sentido do mar, refere o documento, adiantando que a empresa responsável pelo fogo-de-artifício vai accionar um seguro para cobrir a totalidade dos danos.
Antes, o Serviço Municipal de Protecção Civil (SMPC) defendera que as causas do acidente se deviam ao facto dos espectadores não terem respeitado o perímetro de segurança. O responsável pelo serviço, Lídio Lopes, explicara que “as pessoas foram avisadas várias vezes para não estarem na área delimitada”, onde, afinal, só estavam três pessoas, que saíram ilesas. A maioria dos depoimentos foi sempre no sentido de que as pessoas respeitaram as regras impostas pela organização.
A verdade é que houve pessoas atingidas a 300 metros do local da explosão e algumas mesmo dentro de bares, cujos vidros foram estilhaçados pela violência dos efeitos pirotécnicos projectados em várias direcções a partir do areal. No total, pelo menos de 58 pessoas sofreram ferimentos ligeiros, uma parte das quais assistidas no areal e na avenida marginal.
No Hospital Distrital da Figueira da Foz deram entrada 35 pessoas, que apresentavam pequenas queimaduras, nalguns casos em zonas extensas, e ligeiras escoriações. A maioria teve alta pouco depois.
Apesar do acidente, os festejos prosseguiram conforme estavam programados, porque “não houve feridos com gravidade”, como explicou Lídio Lopes.
TRÊS FICARAM INTERNADOS
Entre os feridos que deram entrada no hospital, 13 apresentavam queimaduras de 2.º e 3.º graus, e os restantes ferimentos ligeiros, alguns provocados por estilhaços dos vidros dos bares, e queimaduras ligeiras. Ficaram internados um rapaz de 13 anos, com queimaduras de 2.º e 3º graus na zona lombar, e uma ferida perfurante a nível do tórax; um homem de 38 anos, com uma ferida perfurante a nível do tórax, e uma mulher, de 51 anos, com o mesmo quadro clínico.
Os três feridos estão fora de perigo e deverão ter alta dentro de dois ou três dias. O fósforo, um dos componentes do fogo de artifício, actua mais em profundidade do que em extensão, daí que as pessoas não tenham grandes áreas queimadas, mas sim as chamadas feridas perfurantes.
"TINHAM A ROUPA A ARDER"
“Comecei por aperceber-me de que algo estava mal quando os primeiros projécteis atingiram as paredes da gelataria e partiram os vidros do bar aqui ao lado, mas só dei conta da dimensão do que estava a acontecer quando centenas de pessoas desataram a correr, a atirar-se para o chão, com a roupa a arder, a esconderem-se nas barracas da praia e a tentarem entrar na gelataria, para fugir dos foguetes que dispararam, durante três ou quatro minutos, naquela direcção”, conta Rui Simões, que estava a trabalhar numa gelataria, a 50 metros do local de lançamento do fogo-de-artifício.
“A princípio não deixei as pessoas entrar, mas quando me apareceram as primeiras miúdas feridas, que não tinham mais de 15 anos, tive de lhes dar abrigo. Uma tinha o ombro queimado e dois buracos nas costas, um rapaz estava com a cara a sangrar… foi horrível, entrou toda a gente em pânico. Como isto só tinha visto na televisão”, explicou Rui Simões, ainda perturbado com os acontecimentos.
Quando aconteceu o acidente, milhares de pessoas assistiam há 15 minutos, no areal e na marginal, ao espectáculo piromusical, uma tradição na Figueira da Foz na noite de São João.
À BEIRA DA TRAGÉDIA
“O que aconteceu não foi culpa de ninguém. As pessoas não deviam estar nesta zona, mas a Polícia Marítima também não tinha forma de controlar tanta gente. A sorte foi que o fogo só correu mal na parte final, quando já havia poucos foguetes… Se tivesse sido logo no início podia ter havido uma tragédia”, afirmou Arminda de Jesus, concessionária de um dos bares da praia da Figueira da Foz.
“O fogo começou a sair para os lados, em vez de para cima, e as pessoas começaram a ser atingidas”, explicou. “Começámos a ver o fogo rasteiro, a rasar a praia, em vez de subir, mas pensámos que era mesmo assim, até achámos bonito”, disse Célia Pereira, que só depois se apercebeu do acidente.
NOITE DE FESTA ACABA NO HOSPITAL
ASSISTÊNCIA
A assistência aos feridos foi prestada por elementos dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz, Protecção Civil Municipal, Cruz Vermelha, PSP e Polícia Marítima, apoiados por 14 ambulâncias.
EMERGÊNCIA
Em consequência do acidente, o plano de emergência do Hospital Distrital da Figueira da Foz foi accionado, mas não foi necessário recorrer ao reforço das equipas médicas e de enfermagem.
DISTÂNCIAS
A distância de sugurança para observar estes espectáculos costuma variar, em Portugal, entre os 30 e 120 metros. O ideal para a assistir aos lançamentos é estar entre os 150 e 500 metros.
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