"Falso advogado" em silêncio no arranque do julgamento no tribunal de Braga
Luís Rufo está acusado de 141 crimes de usurpação de funções.
Luís Rufo, o alegado falso advogado, ficou em silêncio na primeira sessão do julgamento, no Tribunal de Braga, que o coloca no banco dos réus por 141 crimes de usurpação de funções. O arguido, de 71 anos, está a ser julgado por ter exercido advocacia, durante 30 anos, sem habilitações para o efeito já que "nunca concluiu a licenciatura em Direito".
Segundo o Ministério Público, ao longo do percurso académico, Rufo terá forjado declarações de várias universidades a atestar a conclusão de disciplinas - que alegadamente não concluiu ou frequentou - para conseguir a inscrição na Ordem dos Advogados. O arguido não quis para já esclarecer os factos, mas ao CM, o advogado de Rufo, Artur Marques, garantiu que numa fase posterior irá falar. Nesta sessão foi ouvida a Chefe de Divisão de Gestão Académica da Universidade de Coimbra que, perante o coletivo de juízes, foi confrontada com um documento datado de 1987 e alegadamente requerido aos serviços. "É consistente com o tipo de documento que era na altura emitido", garantiu. Ainda assim, a chefe de divisão acrescentou ter consultado os registos de Luís Rufo. "Os registos académicos não corroboram a informação", disse. De acordo com os registos, o arguido não frequentou a cadeira de Direito Administrativo, lecionada no 2º ano do curso de Direito. Rufo estudou em Coimbra apenas no 1ºano, mas o documento atestava ter concluído a cadeira. A testemunha acabou depois por explicar também que à data não eram feitas cópias de documentos semelhantes ao apresentado e que, por esse motivo, não podia dizer que o documento não tinha sido emitido pela instituição.
Esta segunda-feira foram ainda ouvidos vários clientes do arguido que atestaram a sua capacidade no exercício da função de advogado. "Fui sempre defendido ao mais alto nível", disse Manuel da Silva, cliente e amigo de Rufo.
Em junho de 2022, a Ordem dos Advogados avançou com uma participação criminal e, de forma voluntária, Luís Rufo entregou a cédula profissional.
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