Feriu a tiro a amante e matou-se

Um homem de 59 anos, casado, disparou dois tiros à queima-roupa sobre a amante, Ângela de Jesus Pereira, de 39 anos, em Vila Nova de Gaia – e suicidou-se.

27 de abril de 2005 às 00:00
Feriu a tiro a amante e matou-se Foto: Álvaro C. Pereira
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Os amantes trabalhavam no Posto dos Serviços Médico Sociais de Barão do Corvo, Gaia: ele como motorista, ela como enfermeira.

O autor dos disparos, José da Rocha Mesquita, costumava acompanhar a vítima em visitas domiciliárias a doentes de Gaia. Mas, ontem, por ter terminado a relação com o motorista, Ângela decidiu ir sozinha a casa de um doente.

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Ao que tudo indica, a tentativa de homicídio terá sido premeditada – uma vez que José Mesquita sabia a hora a que ângela chegaria ao local e foi ao seu encontro, de arma em punho, para tirar satisfações e tentar a reconciliação.

Segundo moradores da Rua Manuel Marques Gomes, onde se deu o tiroteio, a tragédia desenrolou-se pelas dez da manhã. Ângela discutiu com o motorista. “Ouvi a enfermeira dizer-lhe que não queria mais nada com ele. Acto contínuo, ouço dois tiros. Olho para fora do café e vejo o homem disparar contra si próprio e uma mulher estendida no chão", disse ao CM José Vicente, proprietário do café Nora.

José António, compadre do suicida, não encontra explicações para acto tão tresloucado, embora soubesse que ambos “andavam de candeias às avessas”.

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Segundo José António, José Mesquita era “uma pessoa calma”. Quanto a Ângela Pereira, sabia que ela já estava separada do marido e andava a tratar do divórcio.

Maria Fernanda Maia, uma moradora que assistiu à morte de José Mesquita, viu a enfermeira caída no chão, gravemente ferida, a pedir ajuda. “Ela caiu com os tiros e bateu com a cabeça do chão e gritou a pedir socorro. Foi terrível. Desde que tudo aconteceu não páro de tremer”,recorda Maria Fernanda.

Depois de assistida no local por uma equipa do Instituto Nacional de Emergência Médica, Ângela Pereira foi transportada para o Hospital Santos Silva, em Gaia, e transferida para o Hospital de Santo António, no Porto, onde foi submetida a uma intervenção cirúrgica. Segundo fonte médica, está livre de perigo.

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MULHER DO SUICIDA ESTÁ INCONSOLÁVEL

O ambiente em casa de José Mesquita estava carregado de revolta e de consternação. A esposa do suicida, Angelina Santos, sabia da existência da amante do marido “há muitos anos”.

“Eles andavam juntos há seis anos. O meu marido sempre teve casos sem importância, mas esta deu-lhe a volta à cabeça. Foi a pior de todas. Falei com ela duas vezes para o deixar em paz, mas ela negou sempre que tinha uma relação com ele. Ultimamente o meu marido andava muito nervoso, mas nunca foi agressivo. Não me batia e foi sempre carinhoso comigo”, explicou.

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A arma (revólver 6,35 milímetros) com que José Mesquista pôs fim à vida sempre esteve em casa do casal. “Todos os dias via a pistola em casa e nem esta manhã dei pela falta dela. Só quando a GNR me ligou é que fui verificar e vi que não estava”, referiu a viúva.

“Ele era bom marido e bom pai, não consigo entender o que se passou”, garante.

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