Festa dos presépios recupera tradição rural

À sombra de uma mata nacional, perdida num caminho periférico entre Lagos e Sagres, Barão de São João é uma das 24 aldeias rurais na região que aderiram este ano à Festa dos Presépios.

20 de dezembro de 2006 às 00:00
Festa dos presépios recupera tradição rural Foto: José Carlos Eusébio
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O desafio, lançado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, pretende recuperar tradições populares e estimular o envolvimento comunitário num espaço de convivência e de família alargada. Os presépios podem ser visitados até dia 6 de Janeiro.

Em Barão de São João, Alexandre Bonina, membro da Junta e comerciante reformado, dedicou 120 horas de trabalho, ao longo de duas semanas, para transformar troncos de sobreiro em 16 figuras de tamanho real. O presépio está em frente à igreja e ontem foi visitado por crianças da Ludoteca, a quem foi explicado o significado das figuras. “A maior parte das crianças já não sabe o que é o presépio. Só conhecem o Pai Natal e a Árvore de Natal”, referiu Conceição Amaral, da Terra Culta, entidade coordenadora do projecto.

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“No meu tempo juntávamo-nos todos. Cantávamos as Janeiras. Agora, as pessoas estão de costas voltadas”, sublinha Alexandre Bonina, recordando uma aldeia com quase três mil habitantes e que agora é a menos populosa do concelho de Lagos, com apenas 868 residentes, metade dos quais estrangeiros.

Recuperar a memória do Natal tradicional e apresentá-la em presépio a encher o vazio da comunidade é o objectivo de um projecto iniciado em 2003 e que tem atraído cada vez mais aldeias, desde as 11 iniciais, quando ainda se fazia concurso, até às 24 deste ano, mais quatro do que no ano passado. Ganha o interior algarvio e também a curiosidade pelos caminhos da tradição.

Há presépios para ver em Alcantarilha, Alferce, Alportel, Altura, Ameixial, Barão de São João, Budens, Cacela Velha, Cachopo, Castro Marim, Cortelha, Estói, Machados, Marmelete, Martinlongo, Mesquita, Monchique, Odeleite, Paderne, Penina, Sagres, Santa Catarina da Fonte do Bispo, Tôr e Vaqueiros. Na próxima Primavera, a Terra Culta divulga o filme e o livro que fixam para o futuro esta viagem ao Natal passado.

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MESQUITA

Neste sítio de São Brás de Alportel está um presépio do Menino e Cearinhas no altar da igreja. É uma tradição anterior ao século XVII ligada ao apelo à fertilidade e à abundância. Colocam-se taças com trigo a germinar junto ao altar.

CACHOPO

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Recuperar a tradição do uso da cera de colmeia é um projecto comunitário nesta aldeia de Tavira. Por isso, o presépio de figuras, de pequena escala e grande rigor artístico, foi feito com esse material.

CACELA VELHA

A praça da Fortaleza serve de palco a um presépio de figuras em xisto nesta aldeia de Vila Real de Santo António. Um enquadramento perfeito para um monumento com cinco séculos.

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