Fez o parto às escondidas e abandonou filha na rua

A mãe de uma recém-nascida encontrada já morta, há três semanas, em S. Julião do Freixo, Ponte de Lima, foi detida pela PJ de Braga na última quarta-feira e confessou o crime.

30 de dezembro de 2005 às 00:00
Fez o parto às escondidas e abandonou filha na rua Foto: Rui Filipe Moreira
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A arguida, Lucinda Soares, humilde operária têxti, de 26 anos, solteira, disse ontem ao juiz de Instrução Criminal de Ponte de Lima que escondeu a gravidez até ao fim por “vergonha dos pais”, com quem vive no lugar de Assento, freguesia de Duas Igrejas, nos arredores de Vila Verde. Disse, ainda, entre lágrimas, que abandonou a bebé com a esperança de que alguém a encontrasse.

A recém-nascida só foi encontrada três dias depois, perto da capela de S. Cristóvão, em S. Julião do Freixo. Estava morta, ainda com o cordão umbilical e embrulhada em roupas. De acordo com o relatório da autópsia, a bebé morreu de frio. O cadáver foi encontrado pelo zelador da capela. O corpo estava num coreto, no adro da capela de S. Cristóvão, que só abre ao culto em duas ou três ocasiões por ano.

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Lucinda Soares, que vive com os pais e um irmão, diz que não sabe quem é o pai da bebé, mas a Polícia Judiciária suspeita que é um homem casado que, muito provavelmente, a convenceu a esconder a gravidez e a livrar-se da criança.

Lucinda, segundo os vizinhos, tinha uma vida igual à de tantas mulheres da região: trabalhava muito, ganhava um salário baixo e vivia sem sobressaltos. Aos fins-de-semana, Lucinda costumava ir passear a Braga, mas ninguém na aldeia onde vive lhe conheceu um namorado.

Durante os nove meses de gestação, escondeu a gravidez. Fez o parto sozinha em casa e, após dar à luz, meteu-se a caminho de São Julião de Freixo, onde abandonou a bebé, perto da capela, embrulhada numa toalha vermelha e numa camisa de homem de quadrados. Três dias depois, a menina foi encontrada sem vida: não resistiu ao frio.

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ADVOGADO

Segundo o advogado de Lucinda, Pedro Saraiva, o tribunal deixou-a em liberdade porque teve em conta as “razões emocionais” que levaram a arguida a abandonar a filha recém-nascida por “vergonha e receio” dos pais.

GNR

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A arguida, de acordo com a determinação do juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Ponte de Lima, está obrigada a apresentar-se periodicamente, todas as terças-feiras e sábados, no posto da GNR da área de residência.

INFANTICÍDIO

Segundo o Código Penal, a mãe que matar o seu filho durante ou imediatamente a seguir ao parto, estando ela sob séria perturbação, pode vir a ser punida em Tribunal com uma pena de prisão entre um a cinco anos.

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