Correio da Manhã

Filha de professora mata mãe por raiva e pela herança
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Por Sérgio A. Vitorino | 01:30
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Diana e Iuri julgavam ter feito o ‘crime perfeito’. Conheça todos os pormenores do homicídio.

No último mês, Diana e o marido Iuri andaram a ‘acalmar’ Amélia Fialho. A professora ameaçara deserdar a filha adotiva após anos de mau relacionamento e, principalmente, quando, em julho, ela se casou com o homem que Amélia reprovava. O casal regressara há 20 dias à casa da mulher e portou-se bem com segundas intenções: manter a herança do património de Amélia. Objetivo alcançado, e num acesso de raiva após uma discussão na sexta-feira, sábado drogaram e mataram a mulher de 59 anos. Tentaram o ‘crime perfeito’. Mas filha e genro foram detidos pela PJ de Setúbal e estão em preventiva.

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De acordo com os depoimentos ao CM de colegas e pessoas próximas da professora de Físico-Química - dedicada à escola, à Igreja e à sua cadela Princesa -, Diana Fialho tinha olho nas casas da mãe: um duplex onde viviam no Montijo, um outro apartamento com inquilino na mesma cidade e uma casa de férias na Galiza (Espanha). Juntam-se mais dois carros.

Diana, de 23 anos, estudante universitária de Matemática Aplicada, adotada por Amélia aos 5, preparou o crime ao pormenor, inspirada nas séries policiais. Pesquisou na internet onde largar o corpo e traçou o plano, com ascendente sobre o marido Iuri Mata, 27 anos, formado em Contabilidade e Gestão. Sábado, ao jantar, desfizeram medicamentos que havia em casa para uma garrafa que só Amélia bebia, numa dieta especial.

A vítima, drogada, disse que se sentia tonta e foi para o quarto, onde filha e genro a mataram com golpes de martelo na cabeça. Enrolaram o corpo numa manta e, na madrugada, arrastaram-no escadas abaixo do duplex, para o elevador, garagem e mala do carro. A viatura (da vítima) foi parada junto a uma bomba de gasolina (com o corpo na bagageira) e o casal foi até lá a pé, como se não se conhecesse. Ele comprou gasolina e ela um isqueiro, tentando enganar a videovigilância. Seguiram para uma zona de mato em Pegões, onde regaram o corpo com a gasolina e o incendiaram.

Pegaram no outro carro da vítima, sem Via Verde para não deixar registo, e foram deitar ao Tejo o martelo e o telemóvel de Amélia, da ponte Vasco da Gama. Compraram produtos de limpeza e tentaram limpar os vestígios na casa e viatura - falharam porque a PJ encontrou sangue nos locais. Ao notarem que se tinham esquecido de atirar ao rio os óculos de Amélia, esmagaram-nos e deitaram-nos ao lixo. Lavaram as roupas usadas, mas esqueceram-se de limpar dos ténis a terra do campo onde estava o corpo.

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Depois deram à PSP e nas redes sociais o alerta do desaparecimento. Diana queixou-se até da lentidão das autoridades. Sobre o histórico de desentendimentos com a mãe (várias vezes envolvendo polícia), disse que estava ultrapassado. Deu mesmo uma longa entrevista ao CM (em baixo), fingindo não saber o que acontecera à mãe. "Disseram-me para procurar em becos"
Diana Fialho, em prisão preventiva pelo homicídio da mãe, deu na quinta-feira, horas antes de ser detida, uma entrevista ao CM contando a versão inventada de que Amélia tinha desaparecido. O marido, Iuri, também detido, assistiu.

CM: Viviam em harmonia?
Diana Fialho – A nossa relação é boa. Damo-nos bem. A minha mãe só dizia: "eu não me meto na vossa vida, vocês não se metem na minha". Havia sempre "estamos bem não te preocupes" pelo menos um aviso, já que vivíamos todos juntos.

– Onde acha que ela está?
- A minha mãe saiu, não nos disse para onde ia. Com as notícias que há no Facebook, já me puseram todas as hipóteses. Já me disseram para procurar em becos, porque podem tê-la roubado e deixado estendida por aí. Que possa ter sido raptada… Sinceramente não sei. Só espero que alguém a veja, que a leve a um hospital ou para a polícia e que ela regresse a casa.

– Ela tinha inimigos? Alguém que quisesse a fazer mal?
– Não. Aqui na zona toda a gente a conhece e gostava dela. Ela era uma ótima professora. Estamos à espera que ela regresse e que alguém nos diga alguma coisa. Eu só fiz o desaparecimento formal na segunda-feira por ordem da PSP. Domingo à hora do almoço foi o ponto de maior preocupação, pois não demos se ela dormiu ou não em casa. Quando ela não apareceu e não avisou e o facto de o telemóvel estar desligado... foi desesperante. Eu vim domingo à PSP do Montijo, às 19h00, relatar o desaparecimento. O que me disseram foi: "A sua mãe não é nenhuma criança, não é nenhuma pessoa idosa que não saiba voltar para casa. O que tem a fazer é esperar até às 21h00, que ela poderá aparecer para jantar." Eu achei: não apareceu para almoçar e o telefone desligado, não fosse acontecer. Vim novamente à polícia e uma colega dela, que mora no Samouco, veio comigo. Explicámos, estivemos quase duas horas aqui na PSP e a resposta foi novamente que era especulação, que possa ter saído porque quis, algum namoro... Tudo isso está em cima da mesa.

– Quando veio com essa amiga? Foi no domingo?
– No domingo às 21h00.

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– E não deixaram formalizar queixa do desaparecimento?
– Não deixaram formalizar a queixa. Estávamos a jantar no sábado, por volta das 21h00 / 22h00 e ela disse: "Meninos a seguir vou sair." Uma coisa natural. Fomos todos despachar-nos, ouvimos a porta a bater e eu disse para o meu marido "olha, a minha mãe já saiu". Mas como vimos as chaves do carro em cima da mesinha, eu disse "olha, foi a pé, provavelmente foi beber algum café com alguém conhecido". Mas como não demos conta se dormiu em casa ou não, torna-se mais difícil, porque a PSP disse que se não sabemos se dormiu em casa, não sabemos se desapareceu no sábado ou no domingo.

– Portanto, à noite, quando regressa com o seu marido a casa, não vão verificar se ela está em casa ou não. Depois, domingo à hora do almoço, dão realmente por falta dela.
– Sim, porque a minha mãe ao domingo às 09h00 vai sempre à missa e costuma ficar a conversar ou vai dar uma voltinha e vem sempre à hora do almoço. Mas como ela não nos avisou que não vinha almoçar, achei muito estranho. Até disse ao meu marido "vamos ligar para ver se ela demora muito", porque já estávamos a tratar do almoço e quando eu liguei o telefone estava desligado.

– Até hoje tem estado desligado?
– Até hoje tem estado desligado. Eu ligo, colegas dela ligam para mim a dizer que também tentaram. A polícia também tentou na altura ligar, sempre desligado.

– O que é que a sua mãe levou que a Diana se consiga aperceber?
– Que eu me consiga aperceber, carteira e telemóvel. Não ajuda muito porque eu e o meu marido nos estávamos a despachar para sair também. Quando ela saiu não conseguimos ver o que ela levava vestido.n

"O Iuri ligou-me da PJ a dizer que tinha feito asneira", conta a mãe de Iuri
"Só soube o que aconteceu quando o meu filho me ligou da PJ, às 05h30, e disse que tinha feito asneira", contou ao CM a mãe de Iuri. "Perguntei-lhe onde estava a Amélia e ele ficou em silêncio", disse Orlanda Carmo, acrescentando que não o vai abandonar, mesmo sabendo que "tem de pagar pelo que fez". "A Diana arquitetou as coisas muito bem. Ele estava nas mãos dela", disse.

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PORMENORES
Apelo frio fez desconfiar
A denúncia do desaparecimento chegou à PJ na quarta-feira de manhã. Mas investigadores já sabiam do caso pelas partilhas nas redes sociais e desconfiavam da frieza do apelo.

Muda de versão
Diana mudou de versão. Primeiro disse que Amélia levara o carregador do telemóvel (indiciando fuga voluntária) e depois que não, admitindo que alguém lhe teria feito mal e abandonado o corpo - preparando o achado.

Corpo descoberto
Os bombeiros foram apagar o fogo na madrugada de sábado para domingo mas não notaram o corpo carbonizado. O mesmo só foi descoberto na noite de quarta. Uma perna, separada pelo fogo, foi recolhida quinta.

Crânio com marcas
O cadáver carbonizado não deixava distinguir o género. Mas Amélia media 1,47 m e o corpo encaixava. Tinha um afundamento no crânio (do martelo). A PJ foi logo para homicídio.

Confessaram o crime
A PJ fez buscas todo o dia de quinta-feira em casa e nos carros da vítima. O casal foi detido às 02h00 de sexta. Confessou o crime, idealizado pela filha da vítima.

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DEPOIMENTOS
Vanessa Pinto, amiga de Amélia Fialho
"A Amélia era muito boa mãe, muito preocupada e dedicada à filha. Não consigo acreditar que isto aconteceu. Parece impossível. Foi um crime hediondo, brutal e imperdoável."

Custódia Carmo,  tia de Iuri Mata
"Se o Iuri o fez, tem de pagar. Mas acho que não estava no juízo perfeito. Acho que foi obra da Diana, ela é uma miúda muito maquiavélica."

Maria João, membro do Centro Paroquial do Montijo
"Fiquei chocada ao saber o que aconteceu e quando ela (filha) foi presa não me admirei. Tem de ser feita justiça. Não sei o que se passava, mas nada justifica uma filha tirar a vida da mãe."

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