Filha vê pai ser levado por onda

Na Figueira da Foz um homem de 58 anos foi arrastado pelo mar bravo. Em Aver-o-mar, Póvoa de Varzim, rapaz de 23 desapareceu nas águas geladas

03 de setembro de 2010 às 00:30
Filha vê pai ser levado por onda Foto: Diogo Pinto
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Um homem de 58 anos morreu ontem no mar da praia do Relógio, na Figueira da Foz, à frente da filha, que não o conseguiu salvar. Em Aver-o--Mar, Póvoa de Varzim, um rapaz de 23 anos continua desaparecido depois de ter sido arrastado pelas águas. Um amigo, de 17 anos, ainda o tentou salvar, mas também se viu em apuros e teve de ser resgatado. Está internado no hospital, tal como a filha da primeira vítima, que ficou em choque.

A tragédia na Figueira aconteceu às 12h15. Joaquim Dias, a vítima mortal, foi arrastado por uma onda quando se aproximou da zona de rebentação, e a filha, Lina Gonçalves, de 34 anos, ainda correu para o mar na tentativa de o salvar. Tem problemas de locomoção e não conseguiu.

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A família reside em Portunhos, Cantanhede, e estava de férias. O acidente ocorreu numa zona onde estava içada a bandeira vermelha. "De repente começou tudo a gritar e a correr para o mar", conta Vladimir Dovhanyuk, de 15 anos, que se atirou à água para tentar salvar a mulher. "Notava-se que ela estava em pânico, mas o senhor parecia estar morto", conta o jovem.

Entretanto, numa zona de praia não concessionada em Fragosa, Aver-o-Mar, José Sousa, que não sabia nadar, decidiu molhar os pés mesmo estando o mar agitado. Foi surpreendido por uma onda, e o amigo Bruno, de 17 anos, ainda o tentou resgatar. Também se viu em apuros, mas foi retirado da água por um nadador--salvador. José continua desaparecido. Os restantes rapazes ficaram em choque e um deles teve de ser hospitalizado.

"O mais velho estava tão aflito que deu um pontapé ao outro. Foi assim que ele vomitou a água, senão também ficava lá", contou Ana Moreira, que estava no local. Os amigos conseguiram chamar um nadador-salvador. As buscas prosseguem para encontrar José Sousa.

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"ÁGUA PELOS TORNEZELOS PODE ARRASTAR"

Os dois acidentes ocorreram numa altura em que estavam içadas as bandeiras vermelhas. Na Póvoa de Varzim, a vítima entrou no mar numa zona não concessionada, mas a praia ao lado, que é vigiada, tinha bandeira vermelha. "Tiveram sorte de estar um nadador salvador lá perto. Havia muita corrente e a ondulação era muito forte", explicou o nadador salvador Paulo Ferreira. Na Figueira da Foz, a sinalização proibia igualmente banhos no mar. "Bandeira vermelha significa perigo, pelo que devem afastar-se da água", avisa o comandante da Capitania da Figueira da Foz, Malaquias Domingues. No entanto, constata que os banhistas não cumprem a sinalização e continuam a aproximar-se do mar nessa situação, "ignorando que, mesmo com água pelos tornozelos, podem ser arrastados".

"CUSPIDOS VÁRIAS VEZES PELO MAR"

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Na Figueira da Foz, as duas vítimas foram resgatadas pelos três nadadores-salvadores e na praia foram realizadas manobras de reanimação que se revelaram infrutíferas no caso do homem de 58 anos. "Perante grandes ondas e fortes correntes, os meus colegas foram cuspidos várias vezes para fora quando tentavam entrar no mar", conta Tiago Carvalho, um dos nadadores-salvadores que participaram na operação. Sandra Coimbra conseguiu entrar e salvar a mulher, e António Cortesão resgatou o corpo da vítima. Na Póvoa, também foi um nadador-salvador que resgatou Bruno, de 17 anos.

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