Fogos florestais causam prejuízos diretos de 85 milhões

Quercus alerta para problemas de vulnerabilidade que "permanecem por resolver"

24 de julho de 2026 às 01:30
Investimento no combate chegou aos 600 milhões de euros em 2025 Foto: Ricardo Ponte
Partilhar

Os incêndios causaram "prejuízos estimados superiores a 85 milhões de euros" em 2025 de acordo com o relatório do Sistema Integrado de Gestão de Fogos Rurais (SIGFR). O valor reflete apenas prejuízos diretos inerentes à perda de "materiais, biomassa para energia, frutos, carbono armazenado e serviços de ecossistema". O investimento no combate e prevenção, por seu lado, chegou aos 600 milhões de euros.

De acordo como documento, "o impacto económico foi particularmente severo em espécies florestais com elevado valor produtivo e ecológico". "O pinheiro-bravo destacou-se como a espécie mais afetada, com prejuízos estimados em cerca de 52 milhões de euros associados a uma área ardida de 58 870 hectares. Seguiu-se o eucalipto com perdas na ordem de 11 milhões de euros, correspondentes a uma área ardida de 21 663 hectares. O sobreiro, apesar de apresentar uma área ardida mais reduzida (2 134 ha), registou perdas elevadas, na ordem dos 1,1 milhões de euros, evidenciando o seu elevado valor económico. As outras espécies florestais ainda totalizaram no seu conjunto, perdas estimadas em 17 milhões de euros", explica o relatório do SIGFR. Este cálculo de impacto económico deixa de fora as seis vítimas mortais (dois civis e quatro operacionais) e as perdas resultantes destas mortes.

Pub

Segundo a Quercus, "os fatores que tornam o território vulnerável aos grandes incêndios permanecem, em larga medida, por resolver". Em 2025 registaram-se 8252 incêndios florestais, que consumiram 271 mil hectares. No entanto, 44 incêndios foram responsáveis por 91% da área ardida. "O país continua excessivamente dependente do combate e ainda não conseguiu concretizar uma verdadeira política de prevenção estrutural, baseada na gestão integrada, sustentável e continuada da paisagem, alerta a organização ambientalista.

"A homogeneização da paisagem cria autênticos 'mares' de combustível, que favorecem a propagação rápida e intensa dos incêndios", aponta a Quercus para quem "a prevenção eficaz não se faz apenas combatendo melhor, mas transformando e gerindo a paisagem antes do fogo começar".   

A Quercus destaca ainda as 3,6 milhões de toneladas de carbono para a atmosfera, que segundo a SIGFR representam um "valor aproximadamente duas vezes superior à média" e "24% das emissões anuais a nível nacional".  O resultado deve-se aos "incêndios de grande dimensão e elevada intensidade".

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar