Fogos já atingem o dobro da média

Portugal registou, nos primeiros seis meses deste ano, 2873 incêndios florestais, o dobro da média dos cinco anos anteriores (1453). Segundo o Serviço Nacinal de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC), a explicação está no ano excepcionalmente seco.

08 de julho de 2005 às 00:00
Fogos já atingem o dobro da média Foto: Luís Oliveira
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A área ardida também aumentou. Entre 1 de Janeiro e 30 de Junho deste ano foram consumidos 21504 hectares de mato e floresta. A média de 2000/2004 está nos 15751.

Segundo um relatório da Direcção Geral dos Recursos Florestais, também os fogachos (designação técnica para incêndios que consumam menos de um hectare) aumentaram significativamente. No primeiro semestre deste ano ocorreram 9817, enquanto a média dos cinco anos anteriores está em 5509 fogachos.

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O mesmo relatório refere que este ano já arderam 9240 hectares de povoamentos e 12264 de matos (a média está, respectivamente, nos 8881 e 6870 hectares).

A Direcção Geral dos Recursos Florestais refere que Viana do Castelo e Viseu foram os distritos com mais área ardida, respectivamente com 3164 e 2872 hectares.

João Felgueiras, o Comandante Operacional Distrital de Viana do Castelo, disse ao CM que o facto de este distrito ocupar o primeiro lugar em área ardida se deve a três incêndios de grandes proporções ocorridos no mês de Fevereiro.

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“Os primeiros dois meses do ano foram excepcionalmente quentes e tivemos nessa altura três incêndios, dois em Melgaço e um em Monção, em que arderam mais de 1250 hectares, o que faz com que o distrito de Viana do Castelo apresente, em relação ao primeiro semestre, a maior área ardida de 2005”, explicou João Felgueiras.

Já em Viseu, distrito que lidera a lista do número de incêndios registados (com 411 ocorrências), a explicação vai, segundo fonte do SNBPC, para os fogos que eclodiram em Chãs de Tavares (Mangualde) – que esteve activo durante cinco dias – e em Póvoa de Luzianes (Nelas). “Foram duas situações muito complicadas em que arderam muitos hectares”, afirmou.

A grandeza do distrito, aliada às condições geográficas e sujidade da floresta, são os factores que colocam Viseu na lista negra.

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CHAMAS ÀS PORTAS DE VISEU

Cerca de centena e meia de bombeiros combateu durante o dia de ontem o incêndio que, às 05h45, eclodiu em Paço, freguesia de Lordosa, em Viseu e que só ficou controlado pelos bombeiros às 20h00. As chamas evoluiram com grande intensidade e chegaram à entrada norte de Viseu. Nas aldeias de Oliveira de Cima, Lardosa e Travanca de Bodiosa, algumas casas dispersas pela floresta estiveram sob ameaça, mas a intervenção dos bombeiros evitou o pior. O fogo obrigou ao corte da A24 entre os nós de Moselos e Arcas devido ao intenso fumo. Durante o combate às chamas dois bombeiros, de Canas de Senhorim e Vila Nova de Paiva, ficaram ligeiramente feridos, enquanto um autotanque dos Bombeiros de Penedono ficou imobilizado numa zona íngreme. Ao final da tarde estavam no local 126 bombeiros e 33 veículos, de 19 corporações, apoiados por três helicópteros e dois aviões pesados. Às 19h30 de ontem eram ainda dez os incêndios não circunscritos que lavravam por todo o País. Além do fogo de Lordosa, o que mais preocupava os bombeiros era um incêndio em Casal Cortiça (Leiria), que mobilizava 94 bombeiros e 25 veículos. Sabóia (Odemira), Moreira (Braga), Semideiro (Sabugal), Branzelo (Gondomar), Miraval e Parafita (Penafiel), Valongo e Alvere (Paredes), eram os outros fogos por circunscrever.

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