Foi cortar a franja

Nem duas horas antes de o marido ser executado às suas ordens, segundo a acusação, Maria das Dores aproveitou para “arranjar o cabelo e cortar a franja”, acrescentou ao tribunal Maria Ferreira, a cabeleireira de Torres Vedras.

17 de janeiro de 2008 às 00:00
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Foi o álibi para se deslocar àquela cidade na tarde de 20 de Janeiro e levar ao carrasco brasileiro a chave de um apartamento, em Lisboa, onde Paulo Cruz acabou morto à pancada.

Há mais de dois meses que aquela cliente aparecia de uma a duas vezes por semana no salão. Mas naquela tarde de sábado foi diferente, com a socialite mais inquieta do que nunca e a atrasar todo o serviço por estar sempre ao telefone. “Fez dois a três telefonemas mas não prestei muita atenção às conversas. Só uma vez disse que era um colega meu e percebi ser o Duarte Menezes” – famoso cabeleireiro e amigo de Maria das Dores.

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Menezes, de resto, é testemunha de defesa do brasileiro João Paulo, motorista que já confessou ter sido pago para espancar o empresário até à morte – mas a PSP não o terá conseguido notificar, ao que o CM apurou. O cabeleireiro poderá ser ouvido já na próxima sessão, tal como testemunhas arroladas pela família da vítima num pedido de indemnização cível. E quanto a Ivana Gagauz, o Ministério Público terá prescindido do testemunho por a moldava, que foi empregada em casa da vítima e da viúva, já estar fora do País.

A mesma Ivana acompanhou a patroa até Torres Vedras, no dia do crime – e ficou numa loja de brinquedos com o filho dos patrões, D., seis anos, enquanto Maria das Dores foi acertar pormenores com o assassino do marido. Depois almoçaram e seguiram para o cabeleireiro. “Demorei 40 minutos a arranjar-lhe o cabelo” e já passava das 15h00 quando a socialite regressou a Lisboa – passando um cheque de 150 euros, “com provisão”, que serviram também para a cabeleireira ir pagar o boneco que D. ficara a dever na loja.

Chegaram a Lisboa e Maria das Dores levou a empregada a casa, antes de deixar o filho com uns amigos, pelas 15h55. “O miúdo estava nervoso e ela só dizia que tinha pressa”, contou António Manuel ao tribunal. Este amigo de Paulo Cruz recorda o telefonema que, pelas 18h00, ela lhe fez da Avenida António Augusto de Aguiar: “Estava aflita porque o Paulo não lhe abria a porta e podia ter-lhe dado alguma coisa”. Já o marido estava morto.

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MENEZES DESCONHECE

O cabeleireiro Duarte Menezes disse ao CM não saber que é testemunha de defesa do brasileiro João Paulo, que já confessou ter assassinado Paulo Cruz, até porque tem “salão aberto” em Lisboa e não recebeu qualquer notificação. Quanto à amizade e ao telefonema que terá recebido de Maria das Dores na tarde do crime, opta por não fazer “quaisquer comentários”.

PRÓXIMA SESSÃO

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O juiz Carlos Alexandre viu-se ontem obrigado a suspender a sessão ao fim de apenas 15 minutos de audiência, devido à realização de outro julgamento na 6.ª Vara da Boa-Hora. A próxima sessão está marcada para as 14h00 do próximo dia 30.

VIÚVA EM SILÊNCIO

Só a cabeleireira Maria Ferreira foi ouvida, depois de uma primeira tentativa de recurso à videoconferência ter falhado. E Maria das Dores, a viúva, voltou a remeter-se ao silêncio.

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