FOI DEUS QUE OS CHAMOU

Os populares de São Miguel de Outeiro e Sabugosa, no concelho de Tondela, estão cons-ternados e vestiram-se ontem de luto devido à morte do padre das duas paróquias e de um sacristão, que anteontem à tarde tiveram morte imediata na sequência de um violento acidente ocorrido ao quilómetro 154,5 do IP5, em Vouzela.

06 de outubro de 2004 às 00:00
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“Foi Deus que os chamou, eram duas excelentes criaturas. Um como padre era o pastor e o outro, como sacristão, o seu ajudante”, desabafou, lavada em lágrimas, Maria do Rosário da Paz, paroquiana de São Miguel de Outeiro que há muitos anos se deixou guiar “pelos bons conselhos” que o padre António Martins clamava nas homilias dominicais.

A notícia da tragédia chegou às aldeias de São Miguel de Outeiro e Sabugosa, ao princípio da noite de segunda-feira. Incrédulos e em choque, dezenas de pessoas concentraram-se no largo da Igreja junto à habitação onde residia o pároco.

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As duas vítimas mortais eram pessoas muito estimadas “não só por se tratar de um padre e de um sacristão” mas porque eram “dois bons homens”, disse Paula Leitão, outra habitante.

O padre António Martins, de 65 anos, e o sacristão de Sabugosa, Jorge Figueiredo, de 69, encontraram a morte no quilómetro 154,5 do IP5. Regressavam à aldeia depois de terem participado nos trabalhos da vindima de uma irmã do sacerdote, em Campo de Arca, Arões, concelho de Vale de Cambra.

“Ele saiu depois de almoço e estava bem. Ainda não sei o que se passou, mas devo dizer que o meu irmão era uma pessoa muito cuidadosa ao volante. Às tantas aconteceu-lhe algum problema súbito de saúde”, vaticina Custódio Silva, irmão do sacerdote.

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O padre estava na paróquia de S. Miguel de Outeiro há 17 anos e durante esse tempo Silvina Ferreira foi a sua empregada. “A paróquia está de luto. Ele estava a adivinhar que lhe ia acontecer algo de ruim porque no domingo fez uma homilia memorável”, contou a empregada.

CHOQUE MUITO VIOLENTO E "INEXPLICÁVEL"

O acidente que vitimou o padre e sacristão verificou-se próximo do nó de Oliveira de Frades, num local onde o piso está em muito boas condições. Os dois homens viajavam num Renault Clio no sentido Aveiro-Viseu, por sinal, numa subida. Quem conduzia o automóvel era o sacerdote.

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Por motivos ainda não esclarecidos, a viatura despistou-se, passou para a outra via e embateu violentamente contra um camião. Fonte da BT de Viseu, adiantou que o choque “foi muito violento e é inexplicável” até porque nos asfalto não há qualquer sinal de travagem da viatura ligeira. As vítimas foram transportadas para o Instituto de Medicina Legal de Viseu, onde hoje serão autopsiados.

O corpo do padre ficará depois em câmara ardente na Igreja Matriz de São Miguel de Outeiro até às 10 horas de quinta-feira, altura em que sairá em direcção ao cemitério de Arões, Vale de Cambra, onde ficará sepultado.

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