Fui tratado como um perigoso criminoso

Paulo Dâmaso, administrador do grupo ‘K’, detido ontem por ter desobedecido à ordem de encerramento das discotecas Klube e Kasablanca, em Vilamoura. Presente ao juiz de turno do Tribunal Judicial de Vila Real de Santo António, foi constituído arguido, ficando sujeito à medida de coacção de Termo de Identidade e Residência. Paulo Dâmaso classificou a acção de “abuso de puder” e disse “estranhar” o “mediatismo da operação”.

27 de agosto de 2006 às 00:00
Fui tratado como um perigoso criminoso Foto: Rui Pando Gomes
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A detenção, realizada por elementos da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), organismo que determinou, na quarta-feira, o fecho daqueles estabelecimentos, ocorreu, cerca das 00h30 na Kasablanca.

Algemado, alvo da curiosidade de clientes e sob a mira da Comunicação Social, Paulo Dâmaso não cala a sua revolta, considerando ter sido “tratado como um criminoso”, tanto mais que, justificou, “não ofereci qualquer tipo de resistência aos 20 elementos da ASAE, não tenho cadastro e pago os meus impostos regularmente”.

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O facto de esta operação ter sido realizada na véspera da tradicional festa de Verão que, esta madrugada, deveria juntar cerca de 9000 pessoas nos dois estabelecimentos, agora encerrados, preocupa aquele administrador. “Estão em perigo os 300 trabalhadores do grupo”, alertou. O administrador do grupo ‘K’ diz que não acatou a ordem de encerramento, por considerar que a providência cautelar que interpôs, quinta-feira, no Tribunal Administrativo de Loulé, “tem efeitos suspensivos imediatos”.

António Nunes, presidente da ASAE, justifica a operação como “uma forma de repor a legalidade e punir um crime de desobediência”.

Diz, ainda, terem sido encontradas “graves faltas de condições higieno-sanitárias e dúvidas no seu licenciamento”. Quanto à providência cautelar, garante que a ASAE a desconhece, porque o tribunal nada comunicou nesse sentido.

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Paulo Dâmaso de Andrade, nasceu em Lisboa, em 28 de Maio de 1965 (tem 41 anos). Profissionalmente foi, nas duas últimas décadas, gerente de vários estabelecimentos de diversão nocturna.

Geriu, entre outras, as discotecas Mirage, em Vilamoura e ainda a Skylab, Subsolo e Benzine, em Lisboa. Foi ainda o gerente da firma Bimotor, uma empresa ligada à indústria da música. O bar lisboeta Subsolo foi outra das suas actividades. Finalmente, desde 1995, foi nomeado administrador do grupo ‘K’, propriedade dos irmãos Gonçalo e João Rocha.

SURPRESA

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A entrada repentina de duas dezenas de elementos da ASAE causou a surpresa nos clientes que, cerca da meia-noite, se preparavam para aceder às duas discotecas. Ficaram para ver e tiveram oportunidade de assistir a todo o aparato.

CONFUSÃO

O grande número de agentes da fiscalização evitou qualquer tipo de reacção dos funcionários das discotecas. Só depois da retirada da ASAE é que, alguns elementos ligados à segurança, tentaram o confronto com os jornalistas.

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AGRESSÕES

Um ‘câmara men’ da SIC foi rodeado por vários indivíduos. Sob o pretexto de recusarem ser filmados, deram pontapés no jornalista. Valeu a ajuda de outros jornalistas, com a GNR a ser chamada para identificar os agressores.

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