GALO VIOLA LEI DO RUÍDO
Leonel Moreira nem queria acreditar quando foi notificado, no dia 30 de Setembro, pela GNR de Olhos d'Água, em Albufeira, para "cessar de imediato o ruído produzido pelo seu galo". Até esse dia o proprietário do feliz animal considerava-se privilegiado por, nos dias que correm, acordar ao som de um cacarejar matinal.
Mas um casal vizinho, Vítor Cabrita e Laurentina Guerreiro, não foi da mesma opinião e queixou-se do "galo cantador" à GNR local: "Nós temos aqui um bar que fecha de madrugada e depois disso precisamos de descansar. Mas a partir das cinco da manhã o galo, que está numa gaiola mesmo ao lado da nossa janela, começava a cantar e era impossível dormir. Quando quero acordar utilizo um despertador para as horas que me convém", acusa Vítor Cabrita.
Várias queixas depois, e alguns telefonemas de turistas incomodados que pernoitaram próximo da capoeira, levaram a GNR ao terreno para avaliar o ruído do animal a anunciar a alvorada. Segundo o comandante de destacamento da GNR de Albufeira "por volta das cinco da manhã já o animal cantava a plenos pulmões, descansado da vida. Limitámo-nos a cumprir a Lei do Ruído", esclarece o capitão Matias.
Segundo a notificação, o proprietário do animal tem de calar de imediato o canto do galo caso contrário está sujeito ao pagamento de uma coima ou, como consequência mais óbvia, transformá-lo em manjar: "Para que é que ele quer o galo? Ele não põe ovos. O dono que o mate e o coma com batatas ou arroz", sugere o queixoso.
Para sorte do galo, Leonel Moreira possui uma propriedade em Paderne, para onde tenciona transferir o "animal de estimação", bem longe dos ouvidos da vizinhança de Olhos d'Água.
OUTROS CASOS
A condenação do galo não é caso único na vida do proprietário do já famoso galo. Na verdade trata-se de mais um episódio de uma história que começou há cerca de dez anos, altura em que Leonel abriu o seu negócio de jardinagem e limpeza de piscinas em Olhos d'Água: "Os vizinhos fizeram queixa dos cães de guarda que eu cá tinha e até implicaram com os meus periquitos, acusando-os de fazerem muito barulho", lamenta Leonel Moreira.
Os pássaros ainda lá estão, os cães tiveram mesmo de ser transferidos para a propriedade de Paderne, onde gozarão em breve da companhia do galo e, consequentemente do seu despertar pré-matinal.
Apesar da possibilidade de um "final feliz", Leonel Moreira ainda não acredita como é que um galo pode perturbar ao ponto de ser obrigado a calar-se: "O galo foi-me oferecido há um mês por um primo do Norte que quando vem de férias, traz-me uma galinha para fazer arroz de cabidela. Mas este galo é tão bonito que quis poupá-lo à caçarola. Os vizinhos agora resolveram implicar com o bicho só por egoísmo e maldade", acusa. Um argumento utilizado também pelo casal Cabrita que alega ser intenção do empresário manter animais ruidosos "só para ‘chatear’ e fazer mal".
Leonel Moreira teme agora que a moda pegue: "Havia de ser bonito se toda a gente se queixasse do cantar dos galos. O Estado encheria os bolsos com o total de coimas a pagar ou então haveria arroz de cabidela com fartura", ironiza.
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