Gays com máscaras

A jornalista Fernanda Câncio, namorada de José Sócrates, foi a grande ausência da segunda marcha do Orgulho Gay, que ontem se realizou no Porto.

08 de julho de 2007 às 00:00
Gays com máscaras Foto: João Abreu Miranda
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A organização da iniciativa justificou a ausência da madrinha da marcha com os seus compromissos, em Lisboa. A actriz Raquel Freire, que participou em dois filmes sobre a comunidade lésbica, gay, bissexual e transsexual, foi a única das cinco madrinhas que participou no desfile.

Alguns dos 200 participantes desfilaram com máscaras, mas “não por vergonha”: “Porque temos motivos”. Ao longo do percurso, no centro do Porto, muitos gays e lésbicas que apenas assistiam ao desfile, iam acenando, tal como os familiares dos participantes. “Nós não temos medo, mas os nossos pais têm”, lia-se em alguns cartazes.

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A marcha foi animada do princípio ao fim com cânticos, como “eu amo quem quiser, homem ou mulher”. O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, assim como a possibilidade de adoptar crianças e de dar sangue – sem discriminações – foram outras reivindicações. Não se registou qualquer incidente e havia entre os transeuntes quem elogiasse a coragem dos manifestantes em dar a cara. Já outros afirmavam que estes assuntos “nunca deveriam ser discutidos na rua”.

“Queremos igualdade, exigimos oportunidades” foi o lema da segunda marcha do Orgulho Gay, que este ano teve menos participantes do que no ano passado, quando ainda se protestava contra o assassínio do transsexual Gisberta, no Porto. Para a organização, a marcha, que teve manifestantes de todo o País, “não se limitou à orientação sexual, mas a reivindicar a igualdade de direitos, o que não é adiável, nem negociável”.

A orientação sexual, porém, constitui a única das categorias enquadradas neste Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades Para Todos, “que em Portugal ainda gera a discriminação na própria lei”, segundo destacaram os organizadores: “ Temos esperança que um dia deixem de haver máscaras e todos possam ser finalmente livres”.

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Com palavras de ordem como igualdade de direitos e deveres entre todos, a marcha decorreu sob a escolta da PSP, com muitos automobilistas a buzinarem devido ao condicionamento do trânsito. A marcha partiu ao princípio da tarde da Praça da República, passou pelas ruas onde existe a prostituição dos transsexuais e terminou na Praça Humberto Delgado, frente à Câmara Municipal do Porto. A fanfarra de Gaia acompanhou o desfile.

A HISTÓRIA DAS MARCHAS

As Marchas do Orgulho Gay têm a sua origem em 1969, nos Estados Unidos da América. A comunidade homossexual e trangénera resistiu à violência policial de que era alvo, na cidade de Stonewall, durante o mês de Junho de 1969, tendo a partir daí sido recordada anualmente em todo o Mundo a resistência à acção policial.

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A actriz Raquel Freire, que participou no filme ‘A Vida Queima’, em que se aborda o quotidiano de transsexuais e da comunidade homossexual, referiu que “existe uma grande discriminação na orientação sexual”.

"PORTUGAL PROÍBE QUALQUER DISCRIMINAÇÃO"

O Bloco de Esquerda foi uma das organizações que ontem se associou à 2.ª Marcha do Orgulho Gay, e o dirigente Teixeira Lopes aproveitou para desejar que “um dia ninguém tenha de marchar com máscaras, como foi já o ano passado”.

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“A nossa presença aqui é de solidariedade, já que continua a haver ódio contra pessoas devido às suas opções sexuais, o que antes de mais é uma questão de direitos humanos que tem de ser salvaguardada”, disse João Teixeira Lopes.

As afirmações do dirigente do Bloco de Esquerda foram, assim, ao encontro das palavras dos organizadores da marcha, que lembraram que Portugal – que assume a presidência da União Europeia no Ano Europeu de Igualdade de Oportunidades para Todos – “é o único país europeu cuja Constituição proíbe explicitamente qualquer discriminação com base na orientação sexual e é com base no mesmo princípio que nós reclamamos o fim da discriminação no casamento civil”.

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