General do Exército critica duramente a saída de Portugal do Kosovo

António Faria Menezes diz que País fica "abaixo dos mínimos de responsabilidade"na NATO.

01 de maio de 2017 às 20:15
O tenente-general António Faria Menezes Foto: Natália Ferraz
O tenente-general António Faria Menezes Foto: Natália Ferraz

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Anunciada na última sexta-feira, o fim da participação portuguesa nas missões da NATO no Kosovo está a ser mal recebida nalguns setores do Exército.  Tanto que o próprio Comandante das Forças Terrestres, o Tenente-General António Faria Menezes, verbalizou essas críticas de uma forma pouco comum para um militar no ativo.

Faria Menezes recorreu à rede social Facebook para criticar a decisão. Fê-lo na página ‘Operacional’, que divulga assuntos de Defesa, num comentário a um artigo sobre a decisão de deixar o Kosovo. O Tenente-General escreve que a saída deste teatro de operações é "uma decisão política, com pouca ou nenhuma discussão mediática ou em sede parlamentar, que coloca o Exército Português fora das Operações NATO e a participação nacional abaixo dos mínimos de responsabilidade dum membro fundador".

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O militar avisa que a decisão "terá necessariamente consequências e sequelas conforme parecer militar, mais uma vez registado mas não seguido. Registe-se o notável contributo de 21 anos dos nossos Soldados naquele Teatro de Operações".

Lembre-se que António Faria Menezes comandou o 1º Batalhão de Infantaria Mecanizada da Brigada Mecanizada Independente e o Agrupamento Echo/SFOR, em missão na Bósnia-Herzegovina

Nos comentário à mesma notícia, Luís Villa de Brito, Coronel na Reserva que foi  comandante de um Multinational Battle Group na Bósnia-Herzegovina e Vice-Chefe da Missão Militar portuguesa junto da NATO e da EU também se mostra muito crítico. Diz que se trata de " uma decisão completamente disparatada que reduz drasticamente a nossa participação na NATO. E depois admiram-se de não haver voluntários para o Exército... além da falta de solidariedade para com os nossos Aliados".

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A decisão de retirar as forças portuguesas do Kosovo foi tomada pelo  Conselho Superior de Defesa Nacional, em outubro do ano passado, presidido pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

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