GISELA LIMA: TEM SIDO UM ÊXITO
Gisela Lima, presidente do conselho executivo do agrupamento horizontal Coca Maravilhas (Portimão), que destaca o enriquecimento pedagógico da união de escolas
- Correio da Manhã -Quando foi criado o vosso agrupamento e qual a comunidade envolvida?
Gisela Lima- Este agrupamento foi criado em 1998, tendo nós feito assim parte da primeira experiência nacional dos agrupamentos. Trata-se de um agrupamento horizontal, que reúne seis jardins de infância, cinco escolas EB 1, num total de onze estabelecimentos, quatro associações de pais e 1240 alunos.
– Como tem decorrido a experiência ?
– A experiência tem decorrido com êxito. Rentabilizámos os recursos humanos e materiais e temos conseguido envolver toda a comunidade educativa na construção de um projecto educativo. Não só entre professores mas também com os pais.. toda a comunidade. Temos quatro associações de pais e nos outros casos os encarregados de educação têm também representantes. Há reuniões periódicas...O êxito desta iniciativa foi a capacidade que tivemos de construir este projecto educativo.
– Pode destacar-me algumas das vantagens do facto de as escolas se constituírem num agrupamento, neste caso, horizontalmente?
– A grande vantagem foi a capacidade que passámos a ter de trocar experiências entre professores. Permitiu um enriquecimento pedagógico muito importante. Não só entre os professores do 1.o ciclo mas também entre os educadores dos jardins de infância. Um conhecimento mútuo que se tem revelado muito importante. E que também permitiu criar uma cultura de participação de todos, uma cultura democrática que não era possível.
– O que pensa desta transição para agrupamentos verticais ?
– Acho que primeiro tem de haver uma avaliação das escolas, porque se corre o risco de terminar projectos que estão a funcionar bem. O que corre bem, deve permanecer. O que corre mal deve ser mudado. Mas não podemos andar ao sabor dos ciclos políticos. Os contextos são diferentes, por isso também os modelos de gestão devem ser diferentes. Será que todos os agrupamentos verticais funcionam bem? Enquanto o modelo horizontal permite a participação de todos, no horizontal corre-se o risco dos jardins de infância e as escolas do 1.o Ciclo – os alicerces da educação – serem abafados. Tem de haver uma avaliação do trabalho já desenvolvido.
– Dirigir uma escola é diferente de gerir um agrupamento de estabelecimentos. Como se preparou?
– Mesmo antes do agrupamento, eu já tinha feito uma especialização em Direcção Pedagógica e Administração Escolar. Porque gosto, por opção e porque sou uma apaixonada pela educação. Depois, já no agrupamento, fiz um mestrado em Supervisão. Trata-se também de uma aposta na minha profissão. Por isso, não é verdade que os professores não estão habilitados para os cargos de gestão escolar.
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