“Grandes sacrifícios vão ser pedidos às famílias”
Teresa Costa Macedo, Presidente da Confederação Nac. das Associações de Família sobre o actual conceito de família.
Correio da Manhã – Qual o actual conceito de família?
Teresa Macedo – Não é o conceito de família que tem vindo a alterar--se mas a estrutura e funcionalidade familiar, com um aumento exponencial da desregulação e da incapacidade das famílias em assumirem as suas responsabilidades, o que tem conduzido a dificuldades crescentes nas relações interpessoais, designadamente, as que se manifestam por agressividades inqualificáveis e violências extremas. Estes condicionamentos têm estado na base do surgimento de novos modelos de família, como o das famílias monoparentais.
– Os tradicionais valores familiares perderam-se?
– Ao falarmos de valores familiares estamos a relevar a importância dos afectos, uma das maiores carências actuais. A sociedade põe em causa os afectos essenciais ao crescimento das crianças e dos adolescentes, aliena a estabilidade das relações da conjugalidade e da parentalidade, disfuncionaliza as relações humanas que, em muitas circunstâncias, já estão tão ameaçadas pelas vulnerabilidades económicas.
– Qual o impacto da crise?
– Um dos tempos mais graves para a sobrevivência das famílias é o decorrente da crise actual. Grandes sacrifícios vão ser pedidos às famílias. Aproveito para deixar um pedido às famílias que mais têm, para que se disponham a partilhar com as que vão ser despojadas do pouco que ainda têm.
– Que medidas podem ser tomadas para reorganizar a estrutura familiar?
– Uma das primeiras medidas necessárias é tornar possível que a Sociedade e o Estado respeitem os direitos e os valores da família. Depois é, igualmente, urgente definir e executar uma política de família de carácter global e integrado, ouvindo os representantes familiares. Cabe ao Estado promover a natalidade, a estabilidade das famílias e o seu bem-estar.
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