Greve nos transportes da Soflusa afeta 32 mil passageiros
Mestres das embarcações querem cumprimento do acordo que dá prémio de 60 euros.
Os mestres das embarcações da Soflusa, que fazem a ligação fluvial Barreiro-Terreiro do Paço, em Lisboa, estão indignados com o rumo das negociações com a empresa, nomeadamente no que diz respeito ao aumento em cerca de 60 euros do prémio de chefia.
A greve, que se iniciou esta segunda-feira e termina esta quarta-feira, afeta 32 mil passageiros por dia. A alternativa passa por apanhar o barco no Seixal.
Do terminal fluvial do Barreiro não zarpou um único barco ao longo de todo o dia.
"Os mestres da Soflusa tinham duas reivindicações. Uma era a formação de mais mestres e a outra era a valorização do prémio de chefia. A empresa e o Governo cumpriram e a 31 de maio foi assinado um protocolo em que valorizavam o prémio em 60 euros e a 17 de junho, numa reunião, a empresa disse que suspendeu o protocolo", disse ao CM Pedro Mateus, do Sindicatos dos Transportes Fluviais.
O aviso da greve de três dias foi divulgado pela empresa mas houve quem fosse apanhado de surpresa.
"Não ouvi nada e por isso vim aqui. Fiquei em terra. Não sei como vou fazer para chegar ao trabalho. Devem lutar pelos seus direitos de uma forma que não prejudicasse tanto os utentes", lamentou Jamile Lima.
Ao CM, a Soflusa negou ter quebrado o Acordo de Princípio assinado em maio e fez saber que estão a decorrer reuniões com os sindicatos.
DEPOIMENTOS
Hugo Cunha, utente da Soflusa
"A Soflusa goza com a cara das pessoas: inadmissível".
"A Soflusa não dá a cara, goza com as pessoas e sei de pessoas que já foram despedidas exatamente por chegarem atrasadas. Isto dura há meses, é inadmissível. E no site dizia que haveria barcos de manhã, mas não aconteceu".
João Bolinhas, mestre há 20 anos
"Tenho de andar a tomar comprimidos para dormir"
"Está-me a custar bastante, noites mal dormidas, tenho de andar a tomar comprimidos para dormir. Não consigo dormir. Estamos indignados porque isto é uma grande injustiça. Sentimo-nos injustiçados com a falta na palavra da administração".
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