"Hoje é um dia triste" porque foi há um ano que tudo começou, diz advogado da família de Ihor Homeniuk

Três inspetores do SEF estão acusados de homicídio qualificado de Ihor, crime punível com pena até 25 anos de prisão.

10 de março de 2021 às 17:31
Foto: Direitos Reservados
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O advogado da família de Ihor Homeniuk afirmou que "hoje é um dia triste" porque foi há um ano que o passageiro ucraniano chegou a Portugal, onde ficou retido e morreu nas instalações do SEF no aeroporto de Lisboa.

José Gaspar Schwalbach falava aos jornalistas à saída de mais uma audiência no Tribunal Criminal de Lisboa, onde decorre o julgamento de três inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) acusados do homicídio qualificado de Ihor Homeniuk. A morte do cidadão foi alegadamente causada por ter sido algemado, agredido e morrido por asfixia lenta devido a fraturas nas costelas.

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"É verdade que hoje se assinala um ano da chegada a Portugal de Ihor e assinala-se também um ano da receção que Portugal fez a um cidadão estrangeiro", lembrou o advogado, sublinhando que Ihor Homeniuk esteve retido desde as 10:00 até ao final da noite de 10 de março de 2020 "sem qualquer intérprete ou qualquer possibilidade de contactar a família na Ucrânia".

Nas suas palavras, por tudo isto, hoje, volvido um ano sobre a chegada de Ihor a Portugal, "é um dia triste" não só para Portugal como para a família que "vive com a tristeza".

José Gaspar Schwalbach congratulou-se contudo com o andamento "muito célere" do processo e do julgamento, considerando que "é inequívoco que todos os factos [que constam da acusação] estão a ser provados" em julgamento, em sede de produção de prova.

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O advogado disse ainda que ninguém pode "ficar tranquilizado" quando se fica a saber que desde o diretor até ao inspetor de turno tinham "conhecimento do que se estava a passar" com Ihor e não deram ordem para lhe tirar imediatamente as algemas.

Por outro lado, Ricardo Serrano, hoje como porta-voz dos advogados de defesa que incluem ainda Ricardo Sá Fernandes e Maria Manuel Candal, declarou que a defesa dos arguidos saiu da sessão "com otimismo", uma vez que os depoimentos hoje prestados pelas testemunhas vieram demonstrar "aquilo que era a realidade no aeroporto", situação que já devia ser do conhecimento do Ministério Público, e também veio evidenciar que as competência dos arguidos eram diferentes daquelas que estão na acusação.

"Ficou patente [quais] as regras que estão instituídas no SEF [no aeroporto de Lisboa]. Resulta que é positivo para nós [defesa]", concluiu Ricardo Serrano, sem pretender alongar-se em mais comentários porque o julgamento decorre no tribunal e não no seu exterior.

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Três inspetores do SEF - Duarte Laja, Bruno Sousa e Luís Silva - estão acusados de homicídio qualificado de Ihor Homeniuk, crime punível com pena até 25 anos de prisão.

O crime terá ocorrido a 12 de março de 2020, dois dias após o cidadão do Leste ter sido impedido de entrar em Portugal, alegadamente por não ter visto de trabalho.

Segundo a acusação, após ser espancado, Ihor terá sido deixado no chão, algemado, a asfixiar lentamente até à morte.

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Dois dos inspetores respondem ainda pelo crime de posse de arma proibida (bastão).

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