“Ingleses podem ter outras provas”

Revelações de embaixador inglês levantam novas suspeitas. Gonçalo Amaral, ex-investigador, acredita que polícia britânica não contou tudo à PJ sobre os McCann e as suspeitas de pedofilia quanto ao amigo Payne.

16 de dezembro de 2010 às 00:30
MADDIE, GONÇALO AMARAL, MCCANN Foto: João Cortesão
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O embaixador britânico em Lisboa admite que a polícia do seu país encontrou provas que incriminam o casal McCann pelo desaparecimento da filha Maddie, conforme já foi revelado pelo WikiLeaks. E Gonçalo Amaral, o ex-investigador do caso na Judiciária, "sem saber que provas são", admite que possam ter sido ocultadas. "É muito estranho, por exemplo, que não nos tenham enviado informações sobre as suspeitas [de pedofilia] referentes a David Payne", elemento do grupo da Praia da Luz, no Algarve, em Maio de 2007.

"Da mesma forma que a polícia inglesa disse sempre à PJ, nas informações pedidas, não haver nada de relevante quanto a movimentos de cartões de crédito" dos pais de Maddie ou do grupo de amigos, nem em relação ao historial de "relacionamento entre Kate e Gerry ou ao historial clínico da criança desaparecida", por exemplo.

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O coordenador da PJ não acredita que as provas de que falou o embaixador Alexander Ellis, em conversa com o homólogo dos EUA em Portugal, tivessem que ver com o facto de serem britânicos os cães que detectaram sangue e odor a cadáver na mala do carro alugado pelos McCann. "Até porque, em 28 de Setembro de 2007 [no dia em que terá ocorrido a conversa entre embaixadores], já o laboratório inglês dizia que os vestígios de sangue encontrados não eram de Maddie."

Logo, as provas de que Ellis falava "têm de ser outras" – que a polícia inglesa não fez chegar à Judiciária. Para Amaral, a hipótese mais provável diz respeito a Payne: em Maiorca, dois verões antes, terá friccionado um mamilo e colocado um dedo na boca ao olhar para Maddie, sugerindo um acto sexual e perguntando a Gerry se a sua filha o fazia.

Os gestos foram testemunhados por uma médica inglesa, que os denunciou à polícia inglesa em 16 de Maio de 2007. "A PJ só soube disto já em Outubro" e, quando a equipa de Paulo Rebelo foi a Inglaterra com perguntas para o grupo, David Payne "foi o único que a polícia inglesa não ouviu na presença da PJ".

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