Quinta sessão de julgamento da 'Operação Lex' marcada por tensão entre juiz e advogado de Vaz das Neves
Continuou a ser ouvido Jorge Albergaria, ex-inspetor da Polícia Judiciária que participou na investigação.
Decorreu esta quarta-feira a quinta sessão do julgamento da 'Operação Lex', que retoma o depoimento de Jorge Albergaria, ex-inspetor da Polícia Judiciária que participou na investigação. O início da sessão está a ser marcado por alguma tensão entre o advogado de Vaz das Neves, Miguel Matias, e o juiz José Piedade.
"Vamos lá falar um bocadinho mais alto, que é coisa que o senhor não consegue fazer", atirou o juiz a Miguel Matias.
O juiz acusou também o advogado de estar a pressionar a Jorge Albergaria. "Se [a testemunha] não se recorda, não se recorda. Não pode estar a demonstrar desagrado nem a pressionar a testemunha", afirmou o juiz.
Miguel Matias quer saber porque não foi apreendido o telemóvel profissional de Vaz das Neves, uma vez que a investigação detalha a troca de mensagens entre Rui Rangel e Vaz das Neves acerca de processos. Vaz das Neves já tinha negado a receção de algumas mensagens.
O juiz e o advogado Miguel Matias continuam em picardia: "O tribunal está a ter muita paciência consigo", grita o juiz. "Paciência comigo??", questiona o advogado com indignação.
Miguel Matias estava à procura de uma pergunta que tinha anotado quando o juiz o pressionou. O advogado acabou por dizer que então já não queria perguntar mais nada.
Jorge Albergaria é confrontado com uma fotografia das vigilâncias. Nela, aparecem Rui Rangel, José Veiga e Paulo Santana Lopes (estes últimos dois visados no processo 'Rota Atlântico' e que estavam a ser seguidos pela PJ). Jorge Albergaria diz que ficou surpreendido quando viu Rui Rangel na imagem.
Surge um novo momento de tensão, desta vez entre o juiz e o advogado de Rangel, João Nabais.
“Não é senhor que dirige a audiência, sou eu", atirou José Piedade, num tom exaltado. João Nabais respondeu: "Quando posso ter a palavra, daqui a 2 anos?"
“Daqui a dois anos, não… não é que os senhores não estejam empenhados nisso”, respondeu o juiz conselheiro.
Quando a sessão retomou após o almoço e perante os avisos do juiz durante a manhã, para haver mais rapidez nas inquirições, João Nabais, advogado de Rangel, chamou a atenção para os atrasos constantes no início e recomeço das sessões de julgamento, que têm uma pausa de 3 horas para almoço. "Custa-nos não começar as sessões às horas que você determina. Diz 9h00, começamos às 10h00. Diz 14h30, são 15h…".
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