Inspector do SEF ameaça brasileira

Uma brasileira, que depôs ontem no Tribunal de S. João Novo, no âmbito de um processo em que 13 arguidos – entre eles vários inspectores do SEF e a conhecida advogada Elisabete Chaves – são acusados da regularização ilegal de cerca de 300 imigrantes, alegou ter sido ameaçada por um inspector do SEF para comparecer como testemunha a troco da legalização que espera há quase dois anos.

04 de abril de 2008 às 00:30
Inspector do SEF ameaça brasileira Foto: António Manuel Rodrigues
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"Ele disse-me que se viesse aqui testemunhar me resolvia a situação, dando-me autorização de residência. Senão teria de regressar ao Brasil", explicou perante a admiração do colectivo de juízes, Jupiara Santos, cujo depoimento durou todo o dia.

Ontem, os juízes negaram também o pedido de libertação de um inspector e um funcionário que continuam em prisão preventiva.

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Jupiara disse que o inspector António Martins, de Braga, a abordou, sexta-feira, no estacionamento do tribunal, no Porto, após a sessão para saber "se correu tudo bem".

A imigrante alegou ainda manter contactos telefónicos com o inspector que "quinta-feira ligou para lembrar que tinha de vir a tribunal hoje [ontem]". A actuação do inspector acabou por inquietar Jupiara que, preocupada, contactou uma advogada. A polémica lançada pela testemunha não se limitou ao inspector. Jupiara garantiu ainda ter pago a um dos arguidos para este lhe fornecer um contrato de trabalho na empresa Macambira e Araújo, da qual é sócio.

Perante a situação, dois advogados acabaram por exigir então a sua constituição como arguida, já que o testemunho incrimina não só o empresário e Elisabete Chaves, mas também a brasileira, pelo crime de falsificação de documentos. Contudo, o MP, a quem a brasileira já tinha no passado confessado aquele pagamento, considerou que o crime já tinha prescrito.

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