Instrutor de tiro da PJ julgado por balear menor de 14 anos em Odivelas

Vítima perseguida depois de espreitar para quintal e atingida dentro de pizzaria. Disparos atingiram ainda outro homem.

26 de janeiro de 2026 às 01:30
Inspetor está acusado de dois crimes de ofensas à integridade física Foto: David Cabral Santos
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Um inspetor da secção de roubos da Polícia Judiciária de Lisboa, que também era instrutor de tiro, começa a ser julgado quarta-feira por uma perseguição a tiro pelas ruas de Odivelas que terminou com um menor de 14 anos baleado duas vezes e um homem que nada tinha a ver com o caso atingido por uma 'bala perdida' quando estava sentado num passeio a beber café.

Luís Filipe Robalo responde por dois crimes de ofensas à integridade física qualificados, segundo o Ministério Público, pela forma como atuou na noite de 28 de maio de 2018.  De acordo com a acusação, a vítima, Ivan Santos, vinha de um jogo de futebol na Pontinha com um grupo de cinco amigos e caminhavam em direção a uma pizzaria em Odivelas. Ao passarem pela Urbanização Colinas do Cruzeiro, o jovem de 14 anos ouviu "um cão a ganir" e "subiu a uma caixa de eletricidade", com o objetivo de espreitar para o "interior do terraço". Mas a mulher do inspetor da PJ estava a estender roupa e gritou assustada quando viu a cabeça do adolescente a aparecer sobre a vedação.

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"Alertado pelos gritos da mulher, o arguido, que estava na cozinha, assomou ao local e disse "Então car****?!. O que é isto?, Eu já aí vou!" Ivan Santos disse aos amigos para fugirem dali e o grupo começou a correr. Luís Robalo foi buscar o carro e a arma - ambos de serviço - e juntamente com a mulher foram atrás do grupo, que detetaram algumas centenas de metros depois, junto à Telepizza das Colinas do Cruzeiro. Ultrapassou o grupo, parou o carro, e saiu com a carteira da PJ numa mão e a arma noutra. Identificou-se como polícia, disse para ficarem quietos e deu um tiro para o ar, mas o grupo continuou a correr. 

Ivan tropeçou e ficou para trás, mas foi ajudado por um amigo, e correu em direção à pizzaria, onde entrou. Luís Robalo desferiu dois disparos ainda na rua, mas não o atingiu nessa altura. Manteve a perseguição no interior da Telepizza, "onde efetuou mais dois disparos, um no corredor, outro na cozinha, a uma distância de cerca de três metros".

Ivan foi nessa altura atingido na coxa esquerda, mas conseguiu sair da Telepizza. Já na rua foi baleado outra vez, agora no "pé direito, o que motivou a sua queda no chão". Luís Robalo disparou mais uma vez, mas "o projétil embateu no chão", e algemou o jovem.

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Percebeu-se minutos depois que outro homem, que nada tinha a ver com o caso, tinha sido baleado numa perna ainda antes da entrada na Telepizza. Foi atingido por uma 'bala perdida' disparada pelo inspetor quando bebia café num passeio junto a uma loja 'Grab & Go'.

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O inspetor Luís Robalo e a mulher alegaram que o jovem baleado e os amigos tentaram saltar a vedação para o quintal da casa onde viviam com o objetivo de os assaltarem. A investigação comprovou que nenhum dos elementos do grupo entrou no espaço e só Ivan espreitou para o interior por ter ouvido "o ganido do cão". 

Início de julgamento adiado 

O início do julgamento de Luís Robalo deveria ter acontecido no dia 14 de janeiro, mas foi adiado pelo atraso de um dos jurados, que se esqueceu que tinha de estar no tribunal de Loures pelas 9h00. Depois, o advogado de defesa sentiu-se mal e teve de abandonar a sessão para ir ao hospital por motivo de doença. A sessão foi adiada para quarta-feira.

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