Jorge Sampaio criticou banalização da violência
O Alto Representante da ONU para a Aliança de Civilizações, Jorge Sampaio, criticou hoje a banalização da violência que se tem verificado na última década e elogiou Lisboa como um exemplo de harmonia religiosa.
"Neste momento, em que todos dizem estarmos em crise, em que há depressão, em que há tristeza, é preciso valorizarmos as riquezas que temos", disse Jorge Sampaio, durante uma cerimónia que assinalou hoje o início da Semana Mundial da Harmonia Inter-Religiosa.
A Semana Mundial da Harmonia Inter-Religiosa foi instituída em Outubro de 2010 pela Assembleia-Geral da ONU como um tempo de harmonia entre todas as religiões, credos e crenças.
O ex-presidente da República revelou que nos últimos anos tem viajado por vários países e divulgou que, em qualquer sítio do mundo, lhe vem sempre à memória que, em Lisboa, há templos de diversas confissões e "é centenária a colaboração de várias práticas religiosas".
Segundo o alto-comissário, é necessário "percebermos que há diferenças em termos todo o talento e a paciência de ultrapassar desconfianças e ignorâncias".
"Somos um pequeno exemplo, mas de uma enorme importância. E temos que garantir essa riqueza, aperfeiçoá-la mesmo nos tempos de maiores dificuldades, em que cada um, com a sua educação, com a sua experiência, adquire uma importância muito decisiva", defendeu.
Jorge Sampaio realçou que as pessoas são inundadas diariamente com imagens de atentados, violências e outros confrontos sectários, "que redundam na banalização do mal".
"A banalização do mal, da violência e da incivilidade têm sido traços da última década. Mas não têm de continuar a ser. E está nas nossas mãos mudar o curso dos tempos. Mesmo que pareça muitas vezes praticamente impossível. Esta mudança é possível, é necessária e é urgente", destacou.
"As religiões têm um papel fundamental para a construção da paz e, infelizmente, são muitas vezes utilizadas para a guerra. Temos de aproveitar estes momentos de convivência sã para sabermos como é maravilhoso termos esta relação inter-religiosa e intercultural que só nos enriquece", disse, durante a sua intervenção, a Alta-Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rosário Farmhouse.
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