Adiada decisão judicial para jovem de Santa Maria da Feira acusado de massacres no Brasil

Nas alegações finais, o Ministério Público pediu a condenação do arguido numa "pena exemplar", mas sem quantificar o número de anos.

Atualizado a 27 de maio de 2026 às 13:21
Tribunal de Santa Maria da Feira Foto: Nuno Fernandes Veiga
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O jovem residente em Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, que está a ser julgado por instigar massacres em escolas no Brasil, incluindo um em que morreu uma adolescente, deveria  conhecer esta quarta-feira a decisão judicial, mas a sessão foi adiada.

A leitura do acórdão estava agendada para as 13h30 no Tribunal de Santa Maria da Feira, onde o julgamento decorreu à porta fechada, por estarem em causa crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual.

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A leitura do acórdão ficou marcada para 17 de junho, pelas 14h00, no Tribunal de Santa Maria da Feira.

Nas alegações finais, o Ministério Público pediu a condenação do arguido numa "pena exemplar", mas sem quantificar o número de anos.

Já a defesa assinalou a falta de maturidade do jovem de 18 anos, adiantando que o sistema prisional não está preparado para lidar com infratores tão jovens e pediu justiça.

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O arguido, que está em prisão preventiva desde que foi detido em maio de 2024, é suspeito de, sobretudo na plataforma de jogos Discord, ter sido o dinamizador de um grupo no qual incitava adolescentes à prática, com transmissão em direto, de atos violentos contra si próprios, outras pessoas e animais de estimação.

Entre estes, está a instigação de quatro massacres em escolas no Brasil, incluindo o que ficou conhecido como o Massacre de Sapopemba, em São Paulo, no qual um adolescente de 16 anos matou a tiro uma colega de 17 e feriu outros três estudantes, em 23 de outubro de 2023.

Os restantes três foram travados pelas autoridades antes de acontecerem e os seus eventuais autores teriam 12, 13 e 14 anos.

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Segundo o Ministério Público, o jovem de Santa Maria da Feira terá ainda, no mesmo grupo, planeado o homicídio de um sem-abrigo em São Paulo, em fevereiro de 2024, e incentivado e permitido a transmissão em direto de maus tratos a animais, bem como a automutilações dos adolescentes.

O objetivo dos autores dos atos seria obterem reconhecimento do jovem e subirem na hierarquia da comunidade 'online'.

Algumas menores terão sido coagidas a praticar os atos depois de terem sido ludibriadas a enviarem fotografias íntimas.

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O grupo, com presença noutras plataformas, terá igualmente servido para o suspeito partilhar pornografia de menores e difundir conteúdos de ódio contra pessoas homossexuais e negras, tendo chegado a partilhar imagens suas com uma farda nazi e uma caçadeira.

Na modalidade de instigação, o arguido está acusado pelo Ministério Público de um crime de homicídio qualificado, seis tentativas de homicídio e três de morte e maus tratos de animal de companhia.

Responde também por um crime de instigação pública a um crime, um de apologia pública de um crime, um de associação criminosa, 224 de pornografia de menores, incluindo 18 agravados, um de incitamento ou ajuda ao suicídio agravado, quatro de coação agravada e um de discriminação e incitamento ao ódio e à violência.

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