Jovem português morre
Artur Pimentel, 17 anos, vivia em Lamego. Caiu de um 4.º andar durante passeio de finalistas. Pais estão inconsoláveis. Colegas regressam hoje.
'Ele deixou esta vida ainda tão novinho. Como foi acontecer uma coisa destas?' Era desesperada que Emília Pimentel estava ontem à noite, poucas horas após saber que o filho mais velho tinha morrido a mil quilómetros de casa, na viagem de finalistas, em circunstâncias ainda por explicar.
Artur Filipe Alves Pimentel, 17 anos, caiu da varanda do 4º andar do Hotel Esmeralda, em Lloret del Mar, em Espanha, enquanto os cerca de 20 colegas de turma do Colégio de Lamego estavam a visitar a cidade de Barcelona. Em casa da família, em Lamego, num pranto compulsivo, a irmã de Artur não conseguia abafar o sentimento de perda. 'Ele foi-se embora assim?', questionava repetidamente, num choro incessante, Cátia, de 16 anos. Em casa estava ainda André, o irmão mais novo. Os pais de Artur viajavam esta manhã para Lloret del Mar, para reconhecer o corpo do filho, que deverá ser autopsiado ainda hoje e depois transladado.
'Estamos todos muito abalados com a morte do Artur. Era um rapaz muito dedicado aos estudos e queria seguir Medicina', disse ontem ao CM Cristina Pimenta, professora do Colégio de Lamego, onde estudava o aluno descrito como exemplar. A tragédia aconteceu durante a viagem de finalistas, contratada pelos alunos à empresa SporJovem, e que começou na passada sexta--feira em Lloret del Mar, cidade banhada pelo mar Mediterrâneo e que todos os anos acolhe milhares de estudantes portugueses. Tudo correu bem até ontem.
'Ele ficou sozinho no quarto porque queria descansar', explicou Cristina Pimenta. Ninguém sabe o que aconteceu ao certo. O corpo de Artur foi encontrado junto à piscina do hotel. Terá tido morte imediata.
'Vi o corpo ensanguentado, caído no chão. Depois chegaram as autoridades, mas nada havia a fazer', contou ao CM fonte da empresa SporJovem. Depois do acidente, vários jovens que estavam instalados no hotel foram evacuados pelas autoridades policiais. 'Gerou-se uma grande confusão à porta do hotel. A polícia concentrou toda a gente numa rua junto ao empreendimento' até que o corpo fosse removido, descreveu um aluno que está em Lloret. Esta manhã, os colegas de Artur regressam a casa, um dia mais cedo do que o previsto. 'Estamos todos em choque', disse o professor José Manuel Ramos.
OUTROS CASOS
VIOLAÇÃO
Em Abril de 2007, uma estudante da Escola Secundária de Vila Real de Santo António foi violada por dois elementos de uma agência de viagens quando regressava ao quarto.
MORRE COM CONGESTÃO
Em Abril de 2003, um estudante de uma escola secundária de Coimbra morreu depois de ter mergulhado no mar. Sofreu uma congestão.
INTERNADOS
Em 2008, quinze estudantes da Escola Secundária de Serpa, Beja, foram internados por excesso de álcool e por ingerirem comida estragada.
DESACATOS EM HOTEL
Cinquenta alunos do 12.º ano da Escola Secundária Campos Melo, da Covilhã, regressaram, em 2007, um dia mais cedo a Portugal após terem sido expulsos do hotel devido a desacatos.
10 MIL JOVENS ATRAÍDOS PELA FARRA
Viagens baratas, muito álcool a preço baixo, as melhores discotecas da Costa Brava, praias, convívio. Estes ingredientes todos somados fazem com que, anualmente, pela altura da Páscoa, mais de 10 mil jovens portugueses rumem a Lloret del Mar, a 85 km de Barcelona, em viagens de finalistas.
Oriundos de norte a sul do País, seja de autocarro ou avião, e aliciados pelas inúmeras agências de viagens que oferecem pacotes para esta época do ano, os estudantes procuram uma semana de puro divertimento. Lloret é um local pequeno, tem apenas 35 mil habitantes, vive do turismo e oferece todo o tipo de diversão. Só bares e discotecas ascendem a quase duas centenas.
Num universo tão numeroso de estudantes há quem diga que os excessos são inevitáveis, nomeadamente no que diz respeito ao consumo de álcool, o que leva, anualmente, dezenas de jovens portugueses até às urgências. Independentemente do comportamento e do propósito da viagem, uma coisa é certa: Quem lá vai, diz que nunca esquecerá.
'ERA UM ALUNO EXCELENTE E UM ESTUDANTE PACATO'
Aluno muito pacato, pouco conversador, algo introvertido até. É desta forma que o padre José Deus Ramos, professor de Moral no Colégio de Lamego, caracterizou Artur Pimentel, que ontem perdeu a vida em Lloret de Mar. 'A notícia deixou-nos a todos em choque. Ligaram-nos a comunicar a tragédia, a meio da tarde', contou ao CM o sacerdote. 'Recordo-o como um excelente aluno, muito calmo e muito pacato', acrescentou . Segundo o professor de Artur, o grupo de estudantes do colégio que partiu de viagem para Espanha era composto por cerca de 20 jovens, do 12º ano. 'Eram para regressar na sexta--feira, mas, depois do que aconteceu, anteciparam a viagem para quinta (hoje)', concluiu.
DROGA: DETIDOS NA FRONTEIRA
Dez finalistas foram detidos pela GNR por posse de droga quando passavam a fronteira em Elvas. Na operação foram fiscalizados 35 autocarros e apreendidas 550 doses de haxixe e liamba
QUADRO DE HONRA: ALUNO DE 18
Artur Pimentel era um aluno muito dedicado aos estudos e pertencia ao quadro de honra da escola, com uma média de 18. 'Era um filho excelente e muito respeitador', disse a mãe
DISTÚRBIOS: LOCAIS QUEIXAM-SE
Todos os anos os habitantes de Lloret del Mar queixam-se às autoridades policiais de distúrbios causados por grupos de jovens estudantes portugueses, muitos dos quais embriagados
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