Judiciária sem pistas para encontrar corpos
‘Rei dos gnomos’ não fala sobre o desaparecimento dos três jovens, dificultando investigação. Pode haver condenação sem corpos.
Passadas mais de duas semanas após a detenção de Francisco Leitão no seu castelo, na Carqueja, Lourinhã, a Polícia Judiciária não tem pistas credíveis sobre a localização dos corpos de Tânia Ramos, Ivo Delgado e Joana Correia. O serial killer permanece em silêncio e sem uma confissão é muito difícil para as autoridades terem conhecimento do local onde se encontrarão os cadáveres. Apesar disso, ao que o CM apurou, não restam dúvidas à PJ de que o ‘rei dos gnomos’ é o responsável pelo desaparecimento e morte dos três jovens.
A princípio, os investigadores desconfiaram de que os corpos poderiam estar enterrados em zonas de mato, entre Torres Vedras, Peniche e Caldas da Rainha, mas sem indícios válidos não há certezas da localização.
Ainda assim, mesmo que as autoridades não encontrem os corpos, nada impede que Francisco Leitão seja acusado e condenado.
Sem se referir a nenhum caso em concreto, o juiz desembargador Rui Rangel explica que 'um corpo é decisivo como meio de prova mas não é o único'. O ADN das vítimas, presente em cabelos, sangue ou saliva, por exemplo, podem indicar se determinada pessoa esteve num local e servir como prova. 'Se assim não fosse, em último caso, todas as pessoas que cometessem um homicídio e fizessem desaparecer um corpo nunca poderiam ser condenadas', argumenta o desembargador, que nos anos 80 chegou a condenar um homicida sem o corpo da vítima ter aparecido até ao final do julgamento.
O antigo inspector da PJ, Francisco Moita Flores, lembra também que os 'cadáveres fazem falta mas há outras provas que podem ser validadas'.
BUSCAS NÃO TIVERAM SUCESSO
Pelas 03h00 do dia 20 de Julho, os inspectores da Polícia Judiciária irrompiam pela casa-castelo de Francisco Leitão, na Carqueja, em S.Bartolomeu dos Galegos, Lourinhã. O serial killer era finalmente capturado por suspeita de ter morto três jovens – Tânia Ramos e Ivo Delgado, em 2008, e Joana Correia, já em Março deste ano – movido por ciúmes doentios. O ‘rei dos gnomos’ já só saiu de casa cerca das 17h00 depois de ter sido interrogado pelos investigadores e do seu castelo ser passado a pente-fino. A PJ fez buscas em todas as paredes e tectos do castelo, onde ainda encontraram uma fossa escondida, mas não havia sinal dos corpos.
Nos dias seguintes, foram ouvidas várias pessoas, inclusive os jovens que frequentavam a casa, e, através deles, descobriu-se um armazém e uma carrinha nas Cezaredas, uma localidade próxima da Carqueja. Ao que o CM apurou, outros locais foram alvo de buscas por parte da Judiciária, como um pinhal, junto ao cemitério de Peniche. Mas até agora nada.
DEFESA VAI RECORRER DE PREVENTIVA
Francisco Leitão é defendido pela sociedade de advogados de Fernando Carvalhal, que confirmou ao CM que 'até 10 de Agosto' vai recorrer da prisão preventiva de Leitão. 'Os factos não estão suficientemente consolidados para que se decretasse prisão preventiva', explicou. Francisco Leitão está preso preventivamente no estabelecimento prisional anexo à Polícia Judiciária, em Lisboa, depois de ter sido presente ao juiz de instrução criminal de Torres Vedras. 'Ele tem conhecimento do que é escrito nos jornais e só quer que seja feita justiça', referiu Fernando Carvalhal. A PJ imputa ao ‘rei dos gnomos’ três homicídios.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt