Juiz acusado de ser VIP em bar de alterne

O juiz do Tribunal de Mirandela é uma das testemunhas arroladas pelo Ministério Público no processo em que Alfredo Palas, dono de um bar de alterne, é acusado de 148 crimes, incluindo associação criminosa, apoio à imigração ilegal, lenocínio e sequestro. O início do julgamento, com mais sete arguidos, está marcado para 2 de Maio.

13 de abril de 2005 às 00:00
Juiz acusado de ser VIP em bar de alterne Foto: Kin Cheung (Reuters)
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Felisberto Agostinho dos Santos, juiz do Tribunal de Mirandela, surge associado ao processo após rusgas no Palas Bar, em Mirandela, pela Polícia Judiciária do Porto. Alfredo Palas foi detido e 68 mulheres brasileiras identificadas. Várias apontam o juiz como um “VIP com privilégios no estabelecimento”.

Segundo os autos, Alfredo Palas fundou uma estrutura em que ele era o topo da pirâmide. No Brasil, com angariadoras e o dono de uma empresa de viagens, recrutou centenas de mulheres para se prostituírem. As mulheres entravam em Portugal através dos aeroportos de Madrid ou Paris, onde eram recolhidas por dois taxistas de Mirandela, também arguidos no processo.

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TERROR E ABUSOS

Chegadas a Mirandela as cidadãs eram ‘examinadas’ pelo proprietário, que era com frequência o primeiro a usá-las, sem preservativo e por vezes com recurso a violência. As mais bonitas ficavam no Palas Bar, enquanto as restantes eram encaminhadas para os outros bares dele: Ponte da Soeira, em Vinhais, e o Cantinflas Bar, em Verim, Espanha.

As mulheres que se insurgissem na casa-mãe eram colocadas num destes bares, após castigos físicos infligidos pelo arguido principal.

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Além de Alfredo Palas, são também arguidas as seguintes pessoas: Joaquim Cipriano, gerente do Ponte da Soeira (58 crimes); Susana Morais, funcionária de balcão (118); Jorge Teixeira, funcionário (118); João Vaz, porteiro (118); Cátia Silva, empregada de balcão (118); Francisco Correia, taxista (2); e Manuel Pinto, taxista (2).

ALFREDO PALAS EM NÚMEROS

5 GRAMAS

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Durante a rusga das autoridades que encerrou o Palas Bar, foram encontradas na mesinha de cabeceira de Alfredo Palas 4,895 gramas de canábis. O proprietário do estabelecimento afirmou que a substância era para ele próprio, assumindo-se como consumidor de drogas.

600 MIL EUROS

A Polícia Judiciária apreendeu ao arguido – entre bens móveis, imóveis, propriedades e dinheiro – cerca de 600 mil euros. Uma soma obtida em pouco mais de um ano e tudo lucro, já que nada era declarado às Finanças. Após o julgamento, estes valores podem reverter a favor do Estado.

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148 CRIMES

Alfredo Palas é acusado de um crime de associação criminosa, um de associação de auxílio à imigração ilegal, 86 de lenocínio, 58 de sequestro e ainda outros dois: detenção de arma proibida e de pistolas transformadas. O total das acusações atinge um número impressionante: 148 crimes.

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