Juíza sobre crime que lesou a CGD: “A justiça é para todos, até para os advogados”

Jurista condenado a seis anos de prisão por burla de 966 mil euros à Caixa Geral de Depósitos.

28 de maio de 2019 às 08:03
Tribunal São João Novo, no Porto Foto: Rafaela Cadilhe
Tribunal São João Novo, no Porto Foto: Ricardo Jr
Tribunal São João Novo, no Porto Foto: Ricardo Jr

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Carlos Calvão Teixeira, advogado de 55 anos, foi esta segunda-feira condenado a seis anos de prisão por ter montado um esquema criminoso que lesou a Caixa Geral de Depósitos (CGD) em 966 mil euros.

O jurista, que não foi à audiência no Tribunal de S. João Novo, no Porto, por ter sofrido uma crise de ansiedade, foi sentenciado por sete crimes de falsificação de documentos e quatro de burla agravada.

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"A Justiça é para todos. Não é apenas para alguns. A Justiça é para advogados também. Desde a primeira audiência que o arguido diz que está pronto para pagar à Caixa. Disse o mesmo que diz há oito anos. O tribunal entendeu que, sem a prisão efetiva, o arguido vai continuar a fazer o que fez. Só a cadeia pode alcançar as finalidades da prevenção geral", disse a juíza Isabel Trocado, ao ler o acórdão.

O advogado foi ainda condenado a devolver ao banco os 966 mil euros da burla, acrescidos de juros. "Estamos a condenar alguém que deixou de pagar quase um milhão de euros. Alguém que está inscrito na Ordem dos Advogados e que exerce.

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Alguém que trabalha no ramo de compra e venda de imóveis, com o mesmo método em que a ofendida foi lesada", frisou a juíza. Em tribunal, o arguido confessou que falsificou documentos para anular hipotecas de sete imóveis, que dera como garantia à CGD para obter empréstimos.

Disse que o fez devido à crise imobiliária. Os imóveis foram depois vendidos. A defesa do advogado indicou que vai recorrer.

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