Juízes punem médico por morte de criança
Condenado a 18 meses de pena suspensa. Deixou o hospital sem reavaliar menina.
O Tribunal da Relação do Porto (TRP) condenou um médico anestesista, José Macieira, a 18 meses de prisão, em pena suspensa, pela morte da pequena Rafaela, de apenas quatro anos, em 2013, após complicações no pós-operatório de uma cirurgia aos ouvidos e ao nariz. Em causa esteve a perfusão inapropriada de soro para a idade e peso da criança - o que não tinha ficado provado na primeira instância.
"Foi melhor do que ganhar o Euromilhões, fez-se justiça pela menina. Apesar de não a trazer de volta, foi a melhor notícia que nós podíamos ter recebido" contou Fernanda Silva, mãe.
O médico tinha sido absolvido no Tribunal de Penafiel, por não ter ficado provado que, pelo facto de não ter reavaliado a menina nas horas seguintes à cirurgia, fosse responsável pela morte. Os pais ficaram revoltados com a decisão da juíza, que apontou ao médico "um comportamento reprovável", mas sem qualquer condenação.
A menina foi submetida, no hospital de Penafiel, a uma cirurgia que demorou apenas 20 minutos, mas foi no pós-operatório que surgiram as complicações. A acusação do Ministério Público revelava que a criança, de Lousada, tinha níveis extremamente baixos de sódio, provocados pelo excesso de soro administrado. Dizia ainda que o médico abandonou "o hospital sem reavaliar a paciente, tendo-se limitado a dar instruções por telefone".
A menina vomitava a cada 30 minutos e tinha convulsões. Acabou por ser transferida para o Hospital de São João, onde veio a falecer. "Eu sei que a minha filha tomou quatro garrafas de soro e sei que foi isso que fez com que ficasse mal. Agora o que interessa é que finalmente se fez justiça e este médico vai pensar melhor antes de fazer o mesmo com outros", acrescentou a mãe.
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