KAPITAL E FRÁGIL EM RISCO

"As pessoas que frequentam as discotecas Kapital, Incógnito e Frágil correm sérios riscos de vida. Se deflagrar um incêndio, ficam presas na discoteca". O alerta é de Teresa Bastos, da Associação de Consumidores Deco que ontem recomendou o encerramento destes três estabelecimentos por não terem condições para a evacuação das pessoas em caso de incêndio, falhas que os responsáveis pelos estabalecimentos negam por completo.

27 de junho de 2003 às 00:00
KAPITAL E FRÁGIL EM RISCO Foto: Bruno Raposo
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Saídas de emergência insuficientes, mal sinalizadas ou escondidas, caminhos de evacuação obstruídos e ar mal renovado foram as principais falhas encontradas pelo Deco que investigou onze das discotecas mais frequentadas de Lisboa. Apenas uma, a Lux-Frágil, passou na avaliação.

Das anomalias detectadas, destaque ainda para as instalações eléctricas em más condições, mobiliário em materiais inflamáveis, excesso de elementos de decoração, extintores escondidos e espelhos ou cortinas em frente às saídas de emergência.

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Os estabelecimentos de diversão nocturna inspeccionados foram a discoteca Lux-Frágil (classificação de bom), Queen's (médio), Plateau (médio), Salsa Latina (médio), Indochina (médio), Stone's (medíocre), Spicy (medíocre), Dock's Club (medíocre), Kapital (mau), Incógnito (mau) e Frágil (mau).

fracas melhorias

Seis das discotecas analisadas neste estudo, que será publicado na próxima edição da revista Pro Teste, já haviam sido alvo de uma investigação idêntica da Deco em 1997. De então para cá, as condições melhoram muito pouco, tal como referiu ontem Teresa Bastos.

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"Chega a ser criminoso funcionar nestas condições", disse a responsável da associação, acrescentando que os frequentadores destes estabelecimentos estão a "dançar ao som do perigo e da insegurança". A Deco aponta o dedo não só aos proprietários, que "negligenciam a questão da segurança", mas, também, às entidades responsáveis pela fiscalização.

Segundo a Deco, "urge fazer um levantamento das condições de segurança, dar um prazo para as alterações e punir quem não cumprir.

DISCOTECAS NEGAM ANOMALIAS

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As três discotecas que a Deco considerou mais perigosas, foram, curiosamente, as únicas que a Deco diz terem recusado a entrada dos seus inspectores. Agora que saíram os resultados do estudo, os responsáveis pelos estabelecimentos visados afirmam que estão a ser alvo de "retaliação". Levantam dúvidas quanto à credibilidade do estudo e à parcialidade de Deco. Ana Carolina, umas das proprietárias do Frágil, reconhece que há "aspectos de segurança que têm ser melhorados", mas só o pode fazer quando a Câmara de Lisboa despachar um projecto de reestruturação da discoteca que tem para aprovação há dois anos. Os responsáveis da Kapital dizem que os bombeiros avaliam com frequência as condições e o sistema de segurança e garantem que vão processar a Deco por, alegadamente, ter prestado afirmações falsas e difamatórias. Apesar dos esforços, o CM não conseguiu contactar a discoteca Incógnito.

MEIA CULPA´

A 16 de Abril de 1997, homens armados irromperam pela discoteca Meia Culpa, em Amarante, disparando e incendiando latas de gasolina. A saída de emergência estava trancada. Morreram 13 pessoas. Na origem do crime esteve um ajuste de contas entre concorrentes do negócio da noite.

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LUANDA

Sete pessoas com idades compreendidas entre os 16 e os 36 anos morreram na discoteca Luanda em Lisboa, na sequência do lançamento de dois engenhos com gás pimenta. As luzes apagaram-se, o pânico espalhou-se. Aconteceu a 16 de Abril de 2000.

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