Ladrões de prostitutas na cadeia
Os dois indivíduos suspeitos de terem assaltado à mão armada três prostitutas, juntamente com outro comparsa que acabou por morrer após ter sido baleado por um agente da PSP, vão aguardar o julgamento em regime de prisão preventiva, determinou ontem juiz do Tribunal Judicial de Viseu.
Os suspeitos, de 24 e 27 anos, estão acusados, em co-autoria, dos crimes de roubo, resistência e coacção a funcionário e uso de porte de arma ilegal. Durante o interrogatório, o indivíduo mais velho, guineense, confessou ao juiz a autoria dos crimes e descreveu, ao pormenor, como se passaram os factos, incluindo os confrontos entre eles e os agentes policiais. O outro arguido, que, segundo fonte próxima do caso, terá chorado no interrogatório, começou por negar tudo, mas acabou por, também ele, contar a sua versão.
“O assassino está aí fora”, gritaram os sujeitos na altura em que a carrinha celular saía da garagem do tribunal, referindo-se ao agente da PSP que baleou mortalmente o outro membro do gang.
Antes de ouvir os assaltantes, o juiz esteve a interrogar os dois polícias que os interceptaram à frente da discoteca ‘Day After’, entre eles o autor do disparo que viria a matar Bruno Miguel, de 22 anos, um velho conhecido da Polícia de Aveiro. Em 2002 tentou fugir duas vezes durante um julgamento e depois na cadeia. Na duas vezes foi baleado. À terceira não resistiu. O corpo foi ontem autopsiado.
BRASILEIRAS ASSUSTADAS
As três mulheres brasileiras que foram assaltadas à mão armada são consideradas peças-chave em todo este processo, não só por terem denunciado o assalto mas, também, por terem identificado os suspeitos. Nesse sentido, já foram interrogadas para memória futura, mas vão ter de depor novamente, porque os suspeitos garantiram que elas lhes abriram a porta de livre vontade e que mantiveram relações sexuais – livrando-se assim do crime de sequestro. Esta versão é desmentida pelas prostitutas, que apanharam “um susto de morte”, em especial a mais nova, de 25 anos, que está em Portugal há três semanas e que na altura em que os ladrões entraram em casa estava a dormir. “Acordou com uma pistola apontada à cabeça. Ela pensava que era brincadeira, mas depois foi puxada da cama pelos cabelos”, contou um amigo. Após terem assaltado a casa das mulheres, que estão em situação ilegal no País, os três indivíduos foram para a discoteca onde pretendiam “beber um copo”, mas acabariam por ser interceptados pela Polícia.
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