LIBERDADE EM RISCO

A insegurança e o medo dos moradores no Bairro da Liberdade, em Lisboa, com casas entre a Rua Inácio Pardelhas Sanchez e o eixo Norte-Sul, junto ao Aqueduto das Águas Livres, aumenta a cada dia, sobretudo se o tempo é de chuva.

09 de novembro de 2003 às 00:00
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A Câmara sabe do perigo de deslizamento da encosta, confirmado por relatório recente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, e já prometeu uma intervenção “mal seja tecnicamente possível”.

“Julgava que tinham esquecido o nosso problema, pois desde que vieram aqui colocar os gessos nas paredes nunca mais disseram nada. E as rachas não param de aumentar” afirma ao CM Vítor Marques, enquanto faz desaparecer o braço na enorme fenda de uma parede onde técnicos colocaram inclinómetros (estruturas que medem as deslocações das terras).

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“Ainda bem que esteve aí uma senhora da Câmara (a vereadora da oposição Rita Magrinho, da CDU) a ver toda esta desgraça. Pode ser que agora se resolvam a fazer o que nos prometeram: realojarem-nos em locais onde possamos dormir descansados, sem a preocupação constante de que a casa vá cair por aí abaixo até ao eixo Norte-Sul, cuja construção agravou, e muito, a nossa situação”, sublinha Carlos Marques.

Mas o realojamento, que outros moradores no local continuam, também, a aguardar, não está previsto. A autarquia vai é “segurar” a encosta.

“Nas condições actuais as estruturas do terreno não permitem a execução da obra. Mas mal seja tecnicamente possível começamos com a obra de sustentação da encosta, que vai ser adjudicada por ajuste directo e vai custar 6,98 milhões de euros” garantiu à Lusa o vereador responsável pelas obras, Pedro Pinto.

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“Fui eu que alertei a Câmara para a gravidade da situação ainda em finais de 2001. Desde que arrancaram o olival que existia ali em baixo para construírem o eixo Norte-Sul as paredes das casas começaram a rachar” lembra Delmar Vicente, a morar junto à escadaria existente na encosta há mais de 70 anos.

Mas há quem aponte mais uma causa e nem durma quando a chuva engrossa.

“Às vezes as composições ferroviárias de mercadorias que passam ali em Campolide durante a noite fazem estremecer isto tudo. E então se estar a chover muito é certo e sabido que não consigo dormir”, assegura Ildebrando Freire, cuja casa se resume ao rés-do-chão, desde que a Protecção Civil o aconselhou a não usar o andar de cima, que está em risco de ruir.

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