LISBOA VAI SAIR À RUA PARA CANTAR E BAILAR

Carlos Alberto Vidal, o ‘Avô Cantigas’, é o autor da Marcha de Lisboa 2004. O artista, de 49 anos, aponta a simplicidade como o trunfo capaz de explicar a vitória.

19 de abril de 2004 às 00:00
LISBOA VAI SAIR À RUA PARA CANTAR E BAILAR Foto: Manuel Moreira
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Correio da Manhã - Ficou satisfeito com a escolha da sua marcha?

Carlos Alberto Vidal - Não esperava, mas fiquei contente. Gosto da marcha que fiz, embora admitisse que também desta vez a vitória seria de outro compositor.

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- O que o motivou a escrever uma marcha?

- Dois factores: primeiro porque estava a tomar o pequeno-almoço com a minha mulher e lemos no vosso jornal o anúncio para o concurso. Ela desafiou-me e saiu esta melodia. Depois, o facto de considerar que era capaz de compor uma música tradicional.

- Foi a primeira vez que concorreu?

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- Foi e daí talvez não estar à espera de ganhar mas agora estou muito contente.

-...E Lisboa porquê?

- Tenho a vivência da grande cidade. Nasci na Lousã mas vim para Lisboa tinha 11 anos. Já vivi em muitas localidades da periferia e quase todos os dias vinha à cidade. Posso dizer com verdade que me considero um lisboeta e não um alfacinha, estes são aqueles que nasceram nas entranhas da cidade e que contam dela mil e uma histórias.

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- A marcha intitula-se 'Lisboa a Namorar'. A quem é que a cidade faz olhos bonitos?

- Sei lá. Toda ela se rebola e nos encanta, por isso eu digo que "à noite se acendem as estrelas que vão à marcha popular/e as pessoas podem vê-las nos arquinhos a brilhar". Como são bonitos os namorados no bailarico! Lisboa vai sair à rua para cantar e bailar.

- Está entusiasmado. Quais os condimentos para fazer uma marcha de sucesso?

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- Ser simples. Dizer na música e na letra o que o povo diz em casa, na rua, no café. É cantar o solidó e tocar zás, trás, pás. Fazer uma melodia orelhuda, como nós lhe chamamos.

- O que significa para si a unanimidade do júri?

- É uma prenda. Talvez tenha tido a sorte própria dos estreantes, sem truques e vícios.

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- Então porque não ficam imortalizadas as marchas modernas?

- Falta serem cantadas por um artista popular e terem mais divulgação na rádio e televisão.

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