Lojistas contabilizam milhares em prejuízos

Prejuízos de vários milhares de euros são a principal consequência do temporal de gelo que na tarde de sexta-feira provocou o caos e destruição no centro da Damaia, na Amadora.

30 de abril de 2011 às 00:30
MAU TEMPO, CHEIAS, GRANIZO, DAMAIA, COIMBRA, AMADORA, MONCHIQUE Foto: Jorge Paula
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O perigo de nova queda de granizo ainda não foi afastado, pelo que o Instituto de Meteorologia voltou a colocar em alerta amarelo todos os distritos com excepção de Évora, Beja e Faro. As previsões para hoje e amanhã são de chuva com possibilidade de trovoadas.

Na Damaia, Isabel Inteiro, sócia de um oculista na avenida D. Pedro V, diz ter "prejuízos incalculáveis" com a queda de granizo. "A água atingiu 80 centímetros de altura, destruindo tudo à sua passagem", referiu ontem ao CM, enquanto retirava com uma pá a lama da loja.

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Um pouco mais abaixo, numa sucursal do banco Millennium, uma empresa de construção civil procurava fazer um orçamento para recuperar o espaço destruído pela inundação. Do outro lado da avenida, Esperança Martins, funcionária da loja de colchões Só Cama, estima em vinte mil euros os prejuízos. Na loja ao lado, a mercearia de Kailesh Gokaldas, os estragos também são de milhares de euros, entre mercadoria e arcas estragadas.

O vice-presidente da câmara da Amadora, Gabriel de Oliveira, disse ontem não ter uma estimativa dos danos provocados pela queda de granizo. "A nossa prioridade foi desimpedir as ruas, retirando o gelo, num trabalho que se prolongou pela noite", referiu. Os estragos atingiram também várias habitações degradadas na estrada militar, na Damaia e em Benfica, onde o Regimento Sapadores de Bombeiros continuava ontem a responder a situações de inundação, sobretudo na zona da estrada do Poço do Chão e do Bairro do Charquinho.

À força da chuva e do gelo não escaparam mesmo grandes edifícios como o Centro Comercial Colombo, classificado como o maior da Península Ibérica, e o Hospital Amadora-Sintra. O tecto falso da área de recobro foi destruído e sua reparação só deverá ocorrer na próxima semana. A realização de operações, garante o hospital, não foi afectada.

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DISCURSO DIRECTO

"FENÓMENOS EXTREMOS MAIS FREQUENTES", Francisco Ferreira, Dirigente da Quercus

Correio da Manhã – Considera que as alterações climáticas influenciam fenómenos como a queda de granizo?

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Francisco Ferreira – É uma contestação científica que surgem mais fenómenos extremos meteorológicos, não só os improváveis, como o da Amadora, mas também secas ou inundações.

– São já visíveis no Planeta os esforços realizados para reduzir a poluição?

– Infelizmente não. Embora haja países como Portugal que deverão cumprir o acordo de Quioto, a maioria polui hoje mais.

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– Até onde a Terra aguenta?

– A temperatura não deve subir mais de 1,5 graus face ao século XVIII. Já subimos 0,8 graus.

"NUNCA TINHA VISTO UMA COISA DESTAS E TIVE MEDO"

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"Tenho 73 anos e nunca tinha visto uma coisa destas. Tive muito medo", disse ontem ao Correio da Manhã Maria Alice Firmino, que na véspera se tinha confrontado com uma queda de granizo como não havia memória em Monchique.

Para a idosa, em cuja casa a "água, após descongelar, entrou pelo telhado e molhou tudo", o dia foi de "muito trabalho" para pôr tudo em ordem: "Até tive de enxugar o colchão e a roupa de cama com o ferro eléctrico para poder dormir", revelou.

"Medo" foi também o que sentiram as vizinhas Diamantina e Isabel Nunes, de 77 e 37 anos: "Foi terrível", observaram.

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Nalguns pontos de Monchique, o manto branco chegou aos 45 centímetros de altura e teve de ser removido pelos bombeiros, que, segundo populares, "andaram com gelo até aos joelhos". Ontem à tarde, junto à rua do tribunal, a mais afectada pelo fenómeno, encontrava-se ainda um monte de granizo. Nas imediações, a casa de Inácio Teles, de 67 anos, ficou inundada: "A água entrou em todos os quartos. Estragou móveis e electrodomésticos. Eu estava na rua e vi as pedras a caírem, mas não pensei que fosse tão grave. Mas o gelo tapou as sarjetas e a água não escoou."

INCÊNDIO CAUSADO PELA TROVOADA DEIXA COIMBRA SEM ELECTRICIDADE

Um incêndio num posto de transformação da EDP deixou ontem milhares de pessoas sem electricidade em Coimbra, admitindo as autoridades que possa ter sido originado pelo mau tempo que assolou a região na sexta-feira. As chamas deflagraram às 08h41 na rua da Alegria e só às 11h00 foi restabelecido o abastecimento a toda a cidade. Instituições como a GNR ou os Bombeiros Sapadores, que combateram as chamas, ficaram sem electricidade, sendo obrigados a recorrer a sistemas alternativos. As causas do incêndio estão a ser apuradas, mas fonte da EDP admitiu que poderão estar relacionadas com a trovoada do dia anterior. Pelas 10h00, foi possível restabelecer o abastecimento a 50 por cento das habitações afectadas e uma hora depois a cidade estava "totalmente reabastecida", através de alimentação alternativa.

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