Lucram milhões com o furto de 250 carros de aluguer

Ministério Público acusou 24 arguidos. Gang vendia os carros furtados no estrangeiro. Cada veículo era negociado por cerca de 3 mil euros.

21 de janeiro de 2026 às 01:30
Várias agências de aluguer de viaturas foram lesadas pela ação do grupo organizado Foto: André Guerreiro
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Um grupo de 19 homens e cinco mulheres foi acusado pelo Ministério Público de integrar uma rede que, durante cerca de um ano, furtou pelo menos 250 carros de aluguer, em agências portuguesas e de outros países europeus. As viaturas eram depois transformadas e revendidas em países europeus e africanos. O Ministério Público (MP) pede, por isso, a apropriação de bens resultantes da atividade criminosa num valor superior a 21 milhões de euros. O julgamento deve começar em breve, no Campus de Justiça, em Lisboa. Integram o grupo 19 brasileiros, três portugueses, um moldavo e um guineense. 

De acordo com o despacho de acusação, a que o CM teve acesso, o grupo foi iniciado por quatro imigrantes brasileiros (João Maciel, de 32 anos, em prisão preventiva desde maio de 2025, é o cabecilha), em meados de 2023. A cúpula do grupo criminoso foi angariando outros membros, todos com papéis bem definidos no esquema criminoso. Se a uns era atribuída a tarefa de alugar as viaturas, normalmente 'online', outros arranjavam documentos para o efeito. E havia também quem se dedicasse aos pagamentos.

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Uma vez na posse da viatura alugada, os arguidos retiravam-lhe o rastreador do sistema GPS, impedindo a agência proprietária do veículo de o conseguir localizar. As viaturas eram depois enviadas para o estrangeiro. A PSP, que assumiu a investigação, recuperou viaturas em Espanha, em França, em Dakar (Senegal) e Gâmbia.

João Maciel é, de longe, o arguido com mais crimes imputados. É responsável por 215 crimes de burla qualificada, com valor estimado em 2,5 milhões de euros. Para além deste, só mais um arguido está em prisão preventiva.

Pedro Pestana é o advogado de João Maciel. Ao CM, o jurista disse que o cliente admite apenas "ter-se limitado a desativar os dispositivos de localização GPS, negando papel na transferência dos mesmos". "Ele já pediu transferência de cadeia por motivos de saúde, sempre negada. Vou pedir que vá para o hospital prisional", concluiu.

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Cúpula teve maior lucro

O Ministério Público (MP) pede a apreensão de 16,8 milhões de euros em proveitos criminosos, aos quatro principais arguidos do processo. Os outros 20 repartiram os mais de quatro milhões que o MP quer agora reaver.

Teste em rent-a-car de lisboa

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Segundo a acusação, o primeiro teste da atividade criminosa do grupo foi feito por João Maciel, a 2 de janeiro de 2024. O brasileiro alugou um carro por três dias, num rent-a-car de Lisboa e a viatura ainda permanece desaparecida.

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