Mãe de Rui Pedro recorda-o no dia em que faria 32 anos

Filomena Teixeira publicou uma mensagem emocionada com histórias da infância do filho.

28 de janeiro de 2019 às 23:47
Rui Pedro tinha apenas 11 anos quando desapareceu de Lousada. Se estiver vivo, tem hoje 32 anos Foto: Direitos Reservados
Filomena Teixeira Foto: Rafaela Cadilhe
Rui Pedro, Tribunal da Relação do Porto, Terras do Vale do Sousa, Filomena Teixeira, Afonso Dias, questões sociais, crime, lei e justiça, desaparecidos, Rui Pedro Foto: Eduardo Martins

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Filomena Teixeira, a mãe de Rui Pedro, o jovem que desapareceu há mais de 19 anos, publicou esta segunda-feira uma crónica em que lembra o filho e assume que ainda aguarda a sua chegada.

Rui Pedro faria esta segunda-feira 32 anos, Filomena não esqueceu a data e escreveu uma mensagem emocionada:

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Filho, recordo-te num misto de emoções: alegria e tristeza. 

Alegria, porque te tive e fazes parte de mim. Tristeza, porque te levaram e não tive a oportunidade de te ver crescer a partir dos 11 anos. Neste dia, espero que te lembres ainda do quanto me fizeste feliz;

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Alegre, n.º 1 em tudo, foi com muita alegria que te vi crescer e aprender a andar, a andar de triciclo, bicicleta, skate, a ser um faz-tudo em casa, perito em eletricidade, eras tu que comandavas todos os aparelhos elétricos.

Também adoravas os animais e quase que tivemos um "zoológico" em casa. Tu e a tua irmã adoravam-nos e tenho histórias engraçadas que recordo; Como daquela vez que compraste um esquilo e lhe fizeste uma casa na árvore (cá fora, claro).

Ao outro dia, já ele tinha fugido, para tua tristeza. Ou dos contratos que fazias com o avô Afonso ou com o avô Zeca para ficar com alguns canários, quando eu te dizia que não admitia mais em casa, e também com a tia Mena.

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Depois, uns davam asilo aos canários, outros a ração. A tua imaginação fértil e o teu riso contagiavam, assim como os teus olhos e pestanas fora do comum. O que tu rias com as boas anedotas do sr. Cesário, e com as "coças" de almofada ao avô Zeca. Tanto amor, tanto carinho!

Todos na família têm histórias sobre ti. A gravidez da Anabela (de risco) e o que tu fazias por ela. O amor do padrinho que idolatravas. As piadas "isto é que é futebol" que só trocavas com o pai.

E as tuas inseguranças, e saber fazer-me tão feliz, como daquela vez que te vi na banheira a tomar um banho de espuma, e a ver televisão com um garfo a servir de antena.

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- Mãe, o pai diz que tomar banho de espuma, não é para meninos, mas para meninas!

- Diz ao pai que está errado (beijos).

Outra situação:

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- Mãe, estás triste?

- Não, filho, cansada!

- O que tu precisas é disto... (Subitamente vai à dispensa e sai com uma máscara horrível de Carnaval e começa a cantar: "eu sou aquele que tu queres e mais ninguém, amor é só querer e eu só quero bem"). (Beijinhos)

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- E agora o que queres?

- Leite (respondeu-me).

- Logo vi (beijos).

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Tantas memórias que nunca se perderam no tempo! Apenas, agravam a distância até hoje aos 32 anos. Não te vi crescer, roubaram-me essa oportunidade, enlouqueci tantas vezes, nunca mais fui a mesma... 

Agora, restam-se os dias, as alegrias da família e amigos que vão atenuando a dor maior, "nunca mais te ver". Nem quero pensar... Hoje é o teu dia, 28 de janeiro de 2019", escreveu a mãe de Rui Pedro. 'Aguardo tua chegada em sinal aberto e que juntos possamos ver tudo sem interferências.' - Alice Vieira. Beijo e aquele abraço, Mãe".

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