MÃE SUSPEITA DE CRIME

A mulher suspeita de ter provocado a morte a um filho deficiente, de 23 anos, anteontem, em S. Miguel de D'Acha, Idanha-a-Nova, está detida nas instalações da Polícia Judiciária de Coimbra e hoje vai ser sujeita ao primeiro interrogatório judicial, no Tribunal de Idanha.

13 de outubro de 2002 às 22:44
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As circunstâncias da morte do jovem indignaram os populares e os amigos, tendo-se gerado uma enorme confusão, com ameaças de 'justiça popular' que só não se verificou devido à pronta intervenção da GNR, que serenou os ânimos.

Os vizinhos não têm dúvidas: "Foi ela que o matou porque sempre que ele estava em casa, não fazia outra coisa que maltratá-lo, muito por culpa das suas deficiências", disseram algumas pessoas da aldeia, que não se conformam com o fim do 'Carlitos', como era tratado pelos vizinhos.

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A alegada agressora, apesar de ter seis filhos, mora sozinha e está divorciada do marido, emigrante na Alemanha. No sábado, os irmãos do Carlos Manuel ficaram indignados e, em desespero, culparam a mãe.

Tal como o Correio da Manhã noticiou ontem, tudo terá ocorrido poucos minutos antes das 11 horas de sábado, quando uma vizinha se apercebeu de muita confusão e gritos na residência. Os populares entraram na casa e encontraram o jovem, Carlos Manuel Carvalho, inanimado e com marcas de violência na zona do pescoço e nos membros.

"Estava com o corpo quente, mas apertei-lhe o pulso e já não senti qualquer pulsação. Vi logo que estava morto", adiantou Conceição Salgueiro, a primeira pessoa que chegou perto da vítima, tendo sido chamada pela alegada agressora.

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"Para mim, a mãe amarrou-o com cordas e prendeu-lhe algo ao pescoço", sustentou Manuel Alexandre, outro popular, salientando "que ele morreu asfixiado, mas tinha mais marcas negras nos braços. Senti-me horrorizado".

Por sua vez, a mãe, de 50 anos, quando confrontada pelos vizinhos, negou que lhe tivesse feito mal, mas o aspecto da vítima levantou "fortes suspeitas" de crime à GNR, que pediu a comparência da Polícia Judiciária. A mulher foi detida, está nas instalações da PJ de Coimbra e vai ser hoje presente a tribunal.

“Sempre foi um pobre coitado”

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Carlos Manuel Carvalho tinha dificuldades em andar, ver e falar, associadas a perturbações mentais e a incontinência, "mas nunca foi violento com ninguém", disseram alguns vizinhos, que nutriam pelo jovem uma grande estima.

Durante a semana frequentava a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Castelo Branco e só ficava ao encargo da mãe nos fins-de-semana.

A vizinha Maria da Conceição Salgueiro, de 68 anos, é das pessoas que melhor conheceu "a vida madrasta" de Carlos Manuel, que lhe mostrava as nódoas negras provocadas pelas agressões.

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“Para além de ter sido uma pessoa muito doente, em casa nunca teve sossego, foi um infeliz, um pobre coitado", disse esta vizinha, que muitas vezes acolheu o 'Carlitos' em sua casa e lhe deu de comer, "sem a mãe saber, se não batia-lhe".

"Sempre que ele urinava nas calças ou na cama, ela, em vez de o ajudar, batia-lhe", referiu Conceição Salgueiro, salientando que um dia "deu-lhe uma tareia tão grande" que o deixou "parcialmente cego de uma vista".

Ainda transtornada com o caso frisou que não fez mais por ele porque não pôde, mas “alguém poderia ter evitado esta morte. Sempre fomos grandes amigos e eu tinha muita pena dele, mas a mãe não gostava que nós os ajudássemos", acrescentou.

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