MAI quer rever modelo concelhio de combate à criminalidade em Lisboa, Porto e Algarve

Luís Neves afirmou que o combate à criminalidade nos grandes centros urbanos não deve estar limitado a organizações municipais.

04 de maio de 2026 às 10:48
Luís Neves, ministro da Administração Interna Foto: Manuel de Almeia/Lusa/EPA
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O ministro da Administração Interna afirmou esta segunda-feira que o combate à criminalidade nos grandes centros urbanos não deve estar limitado a organizações municipais, propondo um "modelo global" que ultrapasse fronteiras concelhias.

"A urbe não são os concelhos, a urbe é toda a continuidade territorial", disse Luís Neves, num colóquio em Lisboa organizado pela Polícia Municipal da capital, salientando que a malha urbana da região inclui o território entre Vila Franca de Xira, Cascais, Mafra e margem Sul.

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"Penso que levará tempo e não dependerá só de mim", mas "temos de pensar em que os sistemas possam ser globais" no combate à criminalidade e quando "queremos balancear os nossos meios", que agora estão organizados por concelhos, explicou Luís Neves, no colóquio coesão social e os desafios da polarização urbana: uma estratégia local de segurança.

"Nos próximos tempos iremos refletir sobre esta ideia aqui [Lisboa], no Porto e no Algarve para que haja constância" no combate à criminalidade em concelhos com malhas urbanas contíguas.

Atualmente, cada município tem "um centro de comando" e, no futuro, "isso pode acontecer, mas é necessário uma continuidade" e "não pode haver compartimentação" de meios, porque "tem de haver uma sequência lógica" no uso dos recursos.

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Para Luís Neves, "a vida urbana não se resolve nos gabinetes", mas na combinação de políticas inclusivas, utilizando recursos de proximidade, instrumentos de videovigilância, limpeza e cuidado dos espaços públicos e o reforço das comunidades locais.

Hoje, vive-se "um tempo de tensão no espaço urbano, um tempo de confrontação latente", em que o "tecido que nos une parece perigosamente desgastado" e a "polarização é mais do que uma abstração académica, mas reflete-se no modo como se ocupa a rua".

Por isso, são necessárias "respostas que recuperem a coesão e a presença" do Estado e "onde ninguém se sinta um intruso", porque a "segurança constrói-se com presença, institucional e comunitária".

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Por isso, é "essencial a presença no espaço público, a participação dos moradores, dos comerciantes e de todos os que vivem na cidade", para criar "uma rede informal de segurança".

Desse modo, afirmou, a "rua deixa de ser um espaço de circulação e passa a ser um espaço vivido em toda a sua plenitude", porque "quando a comunidade está presente, a indiferença perde espaço" e isso reduz "o risco de delito".

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