Marroquino não se lembra de agressões mortais de PSP em Olhão
Testemunha diz não se recordar de agressões. Em tribunal, assumiu que amigo "escondeu" produtos de um supermercado na roupa.
Hassain Ait Rahou, amigo de Aissa Ait Aissa, cidadão marroquino que morreu em Olhão, em março de 2024, disse esta sexta-feira, em tribunal, não se lembrar de agressões alegadamente cometidas pelos dois agentes da PSP que estão a ser julgados por homicídio qualificado. No dia dos factos "estaria drogado" após ter consumido Rivotril - ansiolítico cujos efeitos incluem sonolência excessiva - com a vítima que acabou por morrer.
Na audição, com recurso a um tradutor, o amigo de Aissa Ait Aissa contou que este último "escondeu" alguns produtos na sua roupa, quando se encontravam num supermercado, o que motivou a chamada da polícia por parte das funcionárias. Recorda-se de ter sido "levado com força" para o carro patrulha, onde os dois arguidos referiram que iam levar os amigos à esquadra. No trajeto, Hassan disse que "não estava com a cabeça no sítio" e que a "última memória" que tem do amigo é de este "ter pedido para alargar as algemas, que estavam apertadas". Depois disso só se recorda de estar numa ambulância onde foi assistido e ter ido para o hospital.
A testemunha foi ainda confrontada com algumas "contradições" pela defesa, depois de na inquirição de 2024 ter apontado o condutor da viatura policial como o que teria pedido calma aos dois amigos e agora indicou ser o passageiro.
Os dois arguidos estão acusados de dois crimes de sequestro agravado e um crime de homicídio qualificado, cujos factos remontam a março de 2024.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt