Mata e lava as mãos para limpar pólvora
Deison Camará foi condenado a 12 anos de prisão por matar a tiro Luís Teles, no quartel dos comandos, na Carregueira, em 2018.
Depois de ter matado o colega Luís Teles, com um disparo de espingarda G3 no peito, entre as 18h48 e as 18h56 de 21 de setembro de 2018, no quartel dos comandos, na Carregueira, o militar Deison Camará lavou as mãos duas vezes. O objetivo foi claro, concluíram os juízes do Tribunal de Sintra: apagar os vestígios de pólvora das mãos e dar credibilidade ao cenário de suicídio da vítima. Mas, em julgamento, a tese não colheu. Deison Camará, de 22 anos, foi esta segunda-feira condenado a 12 anos de prisão por homicídio.
Segundo o acórdão, a prova produzida em tribunal permitiu retratar o militar falecido, de 23 anos, como "alegre, e sem qualquer perspetiva que fizesse antever o suicídio".
O arguido sempre garantiu que Luís Teles esteve com ele durante o turno que fez na guarda ao paiol da Carregueira. Segundo a sua versão, o militar tirou-lhe a espingarda G3. Deison disse ter ficado tranquilo, pois a mesma não tinha carregador. Luís Teles saiu para a rua e, segundo o arguido, matou-se com um tiro no peito.
Mas, para os juízes, o resultado da autópsia e os depoimentos dos peritos em tribunal provam que foi Deison Camará a disparar sobre o colega. Depois, lavou as mãos duas vezes, mas não apagou todos os vestígios de pólvora. "Ficou com mais vestígios do que a vítima, o que é um sinal de culpa", referiu o juiz Paulo Almeida Cunha. Minutos após o crime, defende o acórdão, enviou uma mensagem à namorada.
Assim, além dos 11 anos pelo homicídio, o arguido foi condenado a três anos de prisão por posse de munições de G3 e de uma granada, apreendidas pela Polícia Judiciária Militar quando foi preso. O cúmulo foi de 12 anos de prisão. Foi ainda considerado procedente o pedido de indemnização pedido pela mãe da vítima, a quem Camará tem de pagar 172 mil euros. Paulo Santos, advogado do homicida, anunciou que vai recorrer para a Relação de Lisboa.
PORMENORES
Crime entre mensagens
O coletivo de juízes "situou o crime entre a última mensagem da vítima para um amigo e a mensagem do meu cliente para a namorada", descreveu esta segunda-feira Paulo Santos, advogado de Deison Camará.
Arma apreendida
A PJ-M apreendeu a espingarda G3 do crime sem carregador colocado, apesar de o arguido a ter recebido com 16 munições.
Contradições
Segundo os juízes, Deison Camará disse ter estado sempre na casa do Paiol da Carregueira, mas há prova do contrário.
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