Matem-no se não aparecer a droga
O proprietário de um café de Peniche viveu momentos de horror às mãos de traficantes de droga: “Pensava que me iam matar porque me encheram de porrada. Não sou católico, mas devo dizer obrigado a Alguém lá em cima”, desabafou ontem Smael Quazir, um argelino de nacionalidade francesa, de 42 anos.
O comerciante foi agredido por engano, por quatro indivíduos, que o abordaram à procura de informações sobre fardos de cocaína que deram à costa nas praias da região. A agressão de que foi alvo desencadeou uma investigação da PJ, que viria a culminar com a detenção de seis indivíduos – três deles surfistas – residentes nas zonas de Peniche, Lourinhã e Lisboa, como o CM noticiou ontem.
Smael Ouazir – que terá sido confundido com outra pessoa do mesmo ramo – foi ameaçado com armas de fogo e alvo de agressões físicas. “Colocaram-me dentro de um carro e baixaram-me a cabeça para o tapete, começando logo a dar-me socos nas costelas. Um deles disse que não queriam roubar-me, queriam era “os cinco fardos” (de droga). Não entendi e continuaram a bater-me, enquanto me levavam para fora de Peniche”, contou o comerciante.
Entretanto, dois dos agressores foram a casa da vítima – que viraram ao avesso –, apontaram uma caçadeira à sua mulher e deram uma chapada no filho, de 15 anos. Smael Ouazir ficou ainda mais preocupado com o que ouviu a seguir: “Matem-no se a droga não aparecer em cinco minutos!”, disse o líder do grupo. “Pensava que era o fim, mas disse-lhes: ‘Se o querem fazer, não me matem como um cão, todo dobrado no carro, metam-me em pé’.”
Os traficantes libertaram a família, mas levaram o comerciante para a praia, onde voltaram a espancá-lo violentamente, enquanto lhe perguntavam sobre a droga. Depois abandonaram-no e fugiram.
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