Matou ex-namorada e atirou-a para o lixo

Macabro. É assim que os moradores do Alto da Faia em Telheiras, Lisboa, descrevem o crime ocorrido sexta-feira: um estudante de 24 anos espancou a ex-namorada (de 21), queimou-a e tentou ocultar o cadáver num caixote do lixo camarário que tinha ido buscar à rua.

04 de outubro de 2005 às 00:00
Matou ex-namorada e atirou-a para o lixo Foto: Mariline Alves
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No prédio com o número 40, da Rua Professor Prado Coelho, ninguém sabe as horas exactas a que o crime ocorreu. Não se ouviram gritos sequer. “Ouvimos o rapaz a partir a porta do rés-do-chão direito. Depois houve quem o visse a entrar e sair da casa muito agitado”, disse ao CM uma moradora que preferiu manter o anonimato.

Dizem os moradores que André C., um estudante de psicologia, era conhecido por atitudes violentas. Já tinha partido os vidros do prédio, lançado objectos contra os vidros dos carros estacionados e protagonizado várias cenas de violência com ex-namoradas.

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Pelas 18h00, André C. já teria cometido o crime. O desespero era, por esta altura, esconder o cadáver. “Uma senhora viu-o ir à rua buscar um caixote do lixo da câmara. Levou-o para dentro de casa”, acrescentou a moradora.

A testemunha nunca pensou para que é que seria o caixote. Mas, pelas 18h30, a namorada de André C. chegou a casa e descobriu porquê. Quando abriu a porta a advogada deparou-se, na sala, com o cadáver de Ana F., ex-namorada do companheiro, enfiado num caixote do lixo. Saiu a correr e chamou a polícia.

“O agressor tinha espancado a vítima até esta ficar inconsciente. Depois cobriu--a com álcool, da cintura para cima, e queimou-a”, disse uma fonte policial ao nosso jornal. Segundo outra fonte, Ana F. “estava despida da cintura para cima. Com marcas de ferimentos traumáticos e queimaduras por todo o corpo. Da cintura para baixo estava enfiada no caixote do lixo”.

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No quarto estava André C., segundo testemunhas, em estado de choque. O estudante, filho da secretária do presidente da Câmara de Vila Viçosa, morava naquela casa há cerca de dois anos. Os vizinhos ter-se-ão queixado por várias vezes aos pais, proprietários da fracção, por atitudes de vandalismo. Ana F. seria uma ex-namorada do agressor. Filha de um empresário de mármore, em Estremoz, encontrava-se em Lisboa a frequentar um curso superior.

A PJ deteve André C, que aguarda julgamento em prisão preventiva.

AGRESSIVIDADE JÁ ERA CONHECIDA

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André C., natural de Vila Viçosa, já tinha alugado várias casas em Lisboa. Mas “por mau comportamento acabou por ser expulso”, disse uma vizinha ao nosso jornal. A casa em Telheiras foi comprada pelos pais do estudante, já referenciado pela PSP por consumo de estupefacientes. “Ele consumia drogas duras e ficava agressivo”, acrescentou a vizinha. “Até latas de feijão lançava pela janela, contra os carros”, disse. Actualmente o agressor partilhava a casa com uma jovem advogada e terá sido ela a denunciar o crime às autoridades.

Depois nunca mais ninguém a viu. Os vizinhos admitem ter chamado, por diversas vezes, os pais de André C. por atitudes agressivas. Há ainda quem diga que o suspeito do homicídio de Ana F., uma estudante natural de Estremoz, era conhecido por ter muitas namoradas às quais infligia vários actos de violência.

VISITA

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Ana F., uma estudante de 21 anos, terá visitado o ex-namorado na sua casa em Telheiras, Lisboa. Um desentendimento levou a que André C. a espancasse até à morte.

AGITADO

André C., habitante do rés-do-chão frente, saiu de casa, na tarde do crime, e partiu a porta do rés-do-chão direito. Sabia que os vizinhos, com quem se desentendia, não estavam lá.

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TESTEMUNHAS

O agressor foi visto a entrar e sair de casa várias vezes, até que levou um caixote do lixo para a residência. A companheira chegou e deparou-se com o macabro cenário.

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