Médica de Portimão suspensa
Uma médica de Portimão foi suspensa pelo Instituto de Medicina Legal (IML) devido ao seu alegado envolvimento no processo das funerárias, em investigação na Polícia Judiciária (PJ) e no âmbito do qual já foram constituídos dez arguidos.
A decisão do IML foi comunicada à médica na sexta-feira, altura em que a mesma deixou de poder efectuar peritagens no Gabinete Médico Legal de Portimão.
A especialista em medicina interna, que desenvolve ainda a sua actividade no Hospital do Barlavento Algarvio, em Portimão, bem como no Hospital Particular do Algarve, em Alvor, e numa clínica na Praia da Rocha, está também a ser alvo de um processo de averiguações por parte da Inspecção-Geral de Saúde, garantiu ainda ao CM fonte hospitalar, que revelou ter sido já remetida para aquela entidade “uma série de documentos para análise”.
'À LA CARTE'
A decisão do IML de suspender a médica surgiu depois de notícias veiculadas pela Comunicação Social segundo as quais estariam no Gabinete Médico Legal de Portimão certidões de óbito previamente assinadas por aquela profissional, onde estava também já aposta a causa da morte, faltando apenas preencher a identidade do morto. Uma situação que, a confirmar-se, funcionaria quase como um serviço ‘à la carte’ para a atribuição das causas de morte e permitiria acelerar o trabalho das funerárias, que assim já não teriam de esperar pela passagem da certidão de óbito.
A médica não negou ter assinado os referidos documentos, mas assegurou não ter quaisquer ligações a agentes funerários, com quem, afirmou, manteve sempre contactos “profissionais”. A assinatura de um outro médico, que já não se encontra ao serviço do IML, tendo sido dispensado já há algum tempo por questões não relacionadas com este processo, constaria igualmente de outros documentos semelhantes.
LIGAÇÕES PERIGOSAS INVESTIGADAS
A Ordem dos Médicos já decidiu instaurar um processo de averiguações aos dois médicos de Portimão cujas assinaturas constam, alegadamente, de certidões de óbito passadas sem indicação do nome das pessoas falecidas, por considerar que tal prática é irregular e inaceitável.
Entretanto, no âmbito das investigações do caso das funerárias, a cargo da Polícia Judiciária (PJ) de Portimão, que apontam para “ligações perigosas” entre agentes funerários, funcionários hospitalares e do Gabinete de Medicina Legal local, foi já constituída uma dezena de arguidos. Entre estes contam-se os responsáveis de três agências com sede em Portimão e um funcionário da morgue do Hospital do Barlavento, que foram detidos e aguardam agora julgamento em liberdade, tendo pago caução.
O esquema de corrupção, desmantelado pela PJ em Agosto do ano passado, indicia a existência de alegadas ‘luvas’ por parte de agentes funerários em troca de informações privilegiadas relativamente a óbitos, que permitiam às agências em causa chegar o mais perto possível junto dos familiares dos falecidos – algumas vezes ainda antes destes terem tido conhecimento oficial da morte dos seus entes queridos.
As investigações da PJ ainda não estão concluídas e admite-se que possam vir a ser envolvidos profissionais de outras áreas ligadas à saúde.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt